É cada vez mais importante a consciência de que aquilo que parece muito vantajoso, como um smartphone com preço abaixo do mercado, pode estar sustentando esquemas criminosos muito lucrativos que perpetuam a violência. Ter um celular roubado tornou-se algo tão corriqueiro que há quem inclusive ande com um aparelho reserva, o “celular do bandido”, para evitar amargar prejuízos maiores. Mas nem essa estratégia tem surtido o mesmo efeito nas ruas ou nos coletivos.
Era de se esperar, portanto, que as autoridades policiais passassem a fechar o cerco contra quem compra o produto sem se preocupar com a procedência. Afinal, é uma cadeia com participações bem definidas. Começa com o assaltante, que rouba na maioria das vezes para saldar suas dívidas com o tráfico. Em seguida, o aparelho chega às mãos de um técnico, responsável pelo desbloqueio, o que vai permitir que o produto seja colocado novamente no mercado, na internet ou nas lojas físicas. E assim o celular chega às mãos do consumidor, atraído pelos preços mais convidativos.
A repressão a esse comércio ilegal é importante para desencorajar os roubos. Com a venda inviabilizada pelas ações policiais, a tendência é haver uma redução desses crimes que aumentam a sensação de insegurança nas ruas da Grande Vitória. O medo de ser abordado por bandidos nessas situações aflige o cidadão, diariamente. Não somente pela perda de um bem de valor, mas principalmente pela possibilidade de sofrer algum tipo de violência física. Celulares são, definitivamente, o maior chamariz de bandidos, tanto que usá-los em ambientes públicos se transformou numa atitude de risco, quando não deveria ser.
O consumidor não pode fazer vista grossa: comprar aparelhos sem se preocupar com a sua origem é se enquadrar nessa cadeia criminosa, ficando sujeito às penalidades. Pior: é financiar o crime organizado, que se aproveita desses desejos de consumo para fisgar cada vez mais clientes – cúmplices, no fim das contas. É responsabilidade de cada um interromper esse ciclo de violência.