Ex-titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, ex-chefe do Detran e ex-corregedor-geral do Estado, Fabiano Contarato (Rede) diz ter “perdido o medo” de entrar na política. Após o movimento frustrado efetuado por ele em 2014 – chegou a lançar candidatura ao Senado, pelo PR, mas dias depois desistiu –, ele desta vez está no páreo para valer: defendendo a renovação política, quer alcançar uma das duas vagas de senador, agora pela Rede Sustentabilidade.
“Sou candidato a senador porque a política tem que mudar. Tem que ter ética, respeito, propostas, compromissos, valores. E perdi o medo também. As pessoas boas precisam estar na política. Martin Luther King dizia que o que mais assusta é a omissão dos bons. Para mudar a realidade política, tem que mudar com políticos desse perfil. Também não deixo de atribuir responsabilidade ao eleitor. Ele também tem que mudar. Não pode ficar naquele jogo de ‘toma lá, dá cá’. Tem que entender que o voto dele tem valor.”
Pouco à frente de Marcos do Val, Contarato forma com o candidato do PPS um 2º pelotão na corrida ao Senado, conforme resultados da última pesquisa Ibope encomendada por A GAZETA, divulgada em 18 de agosto – ele tem 10% das intenções de voto, enquanto Do Val tem 8%. Bem à frente estão Magno Malta (PR), com 54%, e Ricardo Ferraço (PSDB), com 42%. Para surpreender os favoritos, Contarato aposta na projeção da sua imagem como símbolo da ideia de renovação política. Uma ideia que ele acredita representar de verdade, por sua história de vida e prática profissional:
“Acho que sim, porque indiretamente passei a exercer ‘mandato’ como um simples delegado de trânsito. Mesmo sem ter mandato, comecei a fazer uma diferença significativa. Foi com base em propostas minhas que parte do Código Nacional de Trânsito foi mudado. Não tem máscara que se sustente se você não tem uma personalidade firmada nesse sentido.”
“As pessoas querem mudar, mas não basta trocar um político por um político novo. É necessário que esse político também carregue essa mudança, apresentando uma postura diferente, um comportamento ético, com valor. Não adianta entrar agora e começar fazendo pactos e se deixando levar pelo comportamento da velha política. Tem que ser novo no sentido de exercer um comportamento diferente. Um novo que tenha essa forma diferenciada de caminhar.”
Quanto às principais bandeiras, Contarato afirma que, se eleito, vai trabalhar prioritariamente pela atualização de algumas peças fundamentais de nossa legislação no tocante a quem comete crimes: o Código Penal, o Código de Processo Penal (ambos do início dos anos 1940) e, no topo da lista, o Código de Trânsito Brasileiro. É uma legislação que ele conhece a fundo, por seus 26 anos de experiência como delegado. “É óbvio que vou lutar para mudar uma realidade que vivi na pele. Hoje ninguém fica preso no Brasil por crime de trânsito. Na qualidade de senador, isso pode ser mudado. Às vezes as pessoas levantam determinadas bandeiras, mas não fizeram nada de concreto para mudar isso”, critica.
“Também passou da hora de ter uma reforma eleitoral e uma reforma tributária que todo mundo fala. E, acima de tudo, precisamos tratar os iguais como iguais, na medida em que eles sejam iguais”, acrescenta o candidato.
Qual o maior desafio de Contarato? Talvez ele tenha perdido o “ponto da freada” para fazer a curva de entrada na política. Em 2014, estava no auge da popularidade, pelo trabalho como delegado de Trânsito. Nestes últimos quatro anos, ficou bem mais longe dos holofotes, o que pode prejudicá-lo nas urnas. Para provar o contrário, o candidato tem 40 dias para acelerar agora.
Cenas impossíveis
Da série “cenas impossíveis que só a eleição proporciona”: o advogado Alexandre Martins de Castro, pai do juiz assassinado em 2003, posou abraçado com o juiz Leopoldo, suspeito de ter sido mandante do crime. Isso em plena campanha, na qual Castro concorre a uma vaga na Assembleia, pelo PRB. Podia também ser da série “não quero crer, mas é verdade”.
Tá difícil entender...
O governador Paulo Hartung – que repudia Bolsonaro – manifestou apoio à reeleição do presidente da Assembleia, Erick Musso, filiado ao PRB, partido coligado com o PSL no Estado e que apoia a candidatura ao governo de Carlos Manato (PSL), principal cabo eleitoral de Bolsonaro no ES. A assessoria de Erick esclarece que ele não apoia Bolsonaro.
Orgia eleitoral
Diga-se de passagem, o lançamento da candidatura de Erick, na última sexta-feira, em Aracruz, foi um verdadeiro “samba do candidato louco”. Além do próprio Erick (chapa de Manato), teve Hartung e teve o deputado federal Marcus Vicente (PP), candidato à reeleição na coligação de Renato Casagrande (PSB). As alianças paroquiais falam mais alto nessa hora.
A van do Gildevan
Na van do deputado estadual Gildevan Fernandes (PTB), cabe muita gente. Ele desistiu da reeleição, mas está ativo como cabo eleitoral de muitos aliados. Colabora na campanha do colega Marcelo Santos (PDT) e apareceu pedindo votos para Magno Malta (PR) em Pedro Canário, vizinho a Pinheiros, seu reduto.
Perguntar não ofende
Muitos concursos, muito bom! Mas todos anunciados ao mesmo tempo e no finzinho do governo. A “lembrancinha fiscal”, com o aumento da folha de pagamento, vai ficar no colo de quem?