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José Carlos Corrêa

Cooperar para reduzir as desigualdades

A atuação das cooperativas no Espírito Santo demonstra como elas são relevantes para as famílias que delas participam e para a economia do Estado

Publicado em 27 de Julho de 2018 às 17:43

Públicado em 

27 jul 2018 às 17:43
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Um dos participantes do “Painel Cooperar 2018”, evento promovido pela Rede Gazeta no dia 20, indagou sobre como as cooperativas poderiam contribuir para redução da desigualdade social. Foi quando eu me lembrei de um dos símbolos mais utilizados pelo cooperativismo, que é o dos gravetos e as mãos. Um graveto sozinho é facilmente quebrado pelas mãos. Quando reunidos em um feixe, os gravetos resistem e não são mais quebrados com facilidade. O símbolo mostra a força da união que é a base do cooperativismo. É essa união que fortalece cada um dos cooperativados que, se caminhassem sozinhos, certamente não alcançariam os mesmos resultados. Por isso, não há dúvidas, o cooperativismo cumpre um papel importante na redução das desigualdades sociais.
A pergunta foi feita logo após Caco Barcellos ter ressaltado, na sua palestra, a importância do papel do jornalismo na busca da redução da desigualdade social, tema preferencial das pautas do programa “Profissão Repórter” (Globo) que produz para a televisão. Segundo ele, os profissionais que produzem o programa, “em um processo colaborativo, são unidos por algo maior que é a luta contra a desigualdade”, já que “procuram retratar a Grande Etiópia que existe em nossa sociedade (onde estão aqueles que vivem com menos de 1,2 salário mínimo por mês, ou seja, 53% da população) ao invés da Pequena Suíça (os que ganham mais de 160 salários mínimos, onde estão 0,002% da população)”.
No Brasil, a força do cooperativismo está retratada na produção agropecuária, onde quase a metade de tudo que é produzido passa, de alguma forma, por uma cooperativa
A atuação das cooperativas no Espírito Santo demonstra como elas são relevantes para as famílias que delas participam e para a economia do Estado. São 123 cooperativas que respondem por 4,3% do PIB. Alguns números mostram a relevância dessas cooperativas: elas são responsáveis por 70% do transporte escolar, 60% da produção de leite e 12% do total do crédito. Quarenta mil famílias moram em habitações construídas pelas cooperativas. A presença das cooperativas é também significativa na produção de café e frutas, e na assistência à saúde.
No Brasil, a força do cooperativismo está retratada na produção agropecuária, onde quase a metade de tudo que é produzido passa, de alguma forma, por uma cooperativa. No PIB agropecuário, o cooperativismo é responsável por 11%. As exportações das cooperativas brasileiras superam a US$ 5 bilhões anuais.
Entre os princípios básicos do cooperativismo, estão a educação, a formação e a informação. Só esses princípios seriam suficientes para demonstrar que as cooperativas cumprem um relevante papel na valorização do capital humano e, por consequência, na conquista da redução das desigualdades.
*O autor é jornalista
 

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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