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Cordel Político

Cordel Político: o Posto Ipiranga não se manca

Faz poucos dias veio a mais infame: / Achava muito ruim, como patrão, / Ao lado de outros ricos e madames / Ter que entrar no mesmo avião / Com passageiras que eram empregadas / E que podiam dar uma viajada / Com o dólar lá no chão (mas que vexame!)

Publicado em 23 de Fevereiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

23 fev 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Paulo Guedes Crédito: Amarildo
O  ministro da Economia, Paulo Guedes, é quem de fato está tocando a quitanda no governo Bolsonaro. Pode entender muito de Economia, mas tem se mostrado quase um campeão de declarações desastradas e de tiros no pé na articulação politicia. Nesse quesito, só perde para o próprio presidente, atrapalhando assim o andamento da própria agenda. Confira a nossa análise sobre o Posto Ipiranga, no retorno do Cordel Político

Queria ir com o Huck, não deu certo
Porque o narigudo deu pra trás
Mudou de candidato, foi esperto
“Se ganha o Capitão, eu mando mais!
Não entende nada de Economia
Farei tudo aquilo que eu queria
Sem chefe, vou poder agir em paz”

(Enquanto o Jair vende miçanga
Lá no Japão, à base de nióbio
Por aqui fica o Posto Ipiranga
E é, de fato, quem toca o negócio)

Jair sempre foi um grande estatista
Em nome das forças policiais
Das tropas, quase um sindicalista
Mais grana e benefícios, sempre mais!
Mas com Guedes topou se converter
E ninguém pôde bem compreender
Nem mesmo os verdadeiros liberais

O fato é que essa grande (con)fusão
Mistura de elefante com girafa
Na urna foi uma grande sensação
E Guedes conseguiu o que buscava:
“Guiar a economia nacional
Pra dar ao país guinada liberal
Reformas que retirem nossas travas”

O abre-alas foi a Previdência
Reforma bem no topo da sua agenda
Mas logo a gente tomou consciência
Que ele enfrenta um grave problema:
Assim como o Jair, na Presidência,
Sofre de uma verbal incontinência
Fala a bobagem e, tarde, se emenda

E é assim que o Chicago Boy
Já coleciona alguns peludos micos
De todos, o mais triste e que mais dói:
A defesa de “um novo AI-5”
Chamou de feia a mulher do Macron
Fala absurda e fora do tom
De quem deve se achar muito bonito...

O gênio incorre em erros primários
Na articulação, traz retrocessos
Mostrando um germezinho autoritário
Já defendeu “uma prensa no Congresso”
E assim, a cada autossabotagem,
Em vez de assistir à decolagem
Vê sua agenda andar a passos lerdos

E a reforma administrativa?
Fazendo do projeto a defesa
Chamou servidores de “parasitas”
Tá aí uma política “proeza”
Algo que desafia especialistas
É: como essa fala facilita
A aprovação do texto com presteza?

Faz poucos dias veio a mais infame:
Achava muito ruim, como patrão,
Ao lado de outros ricos e madames,
Ter que entrar no mesmo avião
Com passageiras que eram empregadas
E que podiam dar uma viajada
Com o dólar lá no chão (mas que vexame!)

Abaixo, você pode conhecer outros Cordéis Políticos:

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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