Muitas caneladas trocadas por Ricardo Brum e José Carlos Rizk Filho marcaram o debate promovido na terça-feira (20) pela CBN entre os candidatos à presidência da OAB-ES. Entre os dois contendedores posicionou-se a terceira candidata, Elisângela Melo, que também deu os seus pisões nos pés dos oponentes, cobrando de Rizk maior representatividade feminina na chapa dele e de ambos o compromisso com uma prestação de contas transparente dos gastos de campanha – para ela excessivos, no caso de ambos.
Mas as acusações e críticas mais ríspidas ficaram mesmo a cargo de Rizk e Brum nos momentos de embate direto.
Rizk colocou em dúvida a credibilidade de Brum – que se apresenta como um gestor focado em números e metas –, ao questionar o secretário-geral da OAB-ES sobre a incongruência entre o percentual de investimentos que ele alega ter feito na Escola Superior de Advocacia (ESA) e o número apresentado por Rodrigo Mazzei, que conduziu a ESA de 2012 até o último dia 8 de novembro. Essa divergência com Brum foi exatamente o que levou Mazzei a entregar o cargo, como noticiamos aqui na ocasião.
Brum não perdeu nem uma ocasião sequer para lembrar a todos os presentes (sobretudo ao próprio Rizk) a ausência do adversário em todos os debates realizados anteriormente. O candidato da situação também acusou Rizk de “fazer discurso demagógico, para a plateia, em momento político”. Ainda insinuou que Rizk não teria a independência necessária para conduzir a OAB-ES, em razão do apoio que ele tem de advogados que representam associações de juízes, de delegados e de membros do MPES, além de vereadores e deputados. “Aonde o senhor quer levar a Ordem com esse relacionamento que o senhor está criando?”
Rizk se defendeu evocando um dos princípios máximos da advocacia: o de que o advogado não se confunde com o cliente. Disse que sua chapa não é partidária, mas representa o “partido dos advogados”.
Tornando à carga, Brum criticou Rizk por apresentar “propostas arrojadas”, eufemismo que ele logo substituiu por “vazias” e “irrealizáveis”, como a criação de uma cooperativa de crédito para os advogados. Cobrando respeito, Rizk retrucou que Brum não cumpriu nem sequer as promessas de suas chapas em eleições passadas, como o estabelecimento de um piso salarial e anuidade zero. “Não conhece a OAB. Não sabe do que está falando”, replicou Brum.
Muita pancadaria, muita perfumaria. Poucos compromissos. Quem assistiu ao debate ficou sem saber, por exemplo, quanto Brum está gastando em sua campanha (uma pergunta simples e direta feita por Elisângela) e como Rizk tirará do papel essa cooperativa de crédito.
Obras e projetos
Na coluna de terça-feira (20), abordamos o projeto do governo estadual enviado à Assembleia que prevê suplementação orçamentária de R$ 192,8 milhões, destinando mais recursos à própria Assembleia, ao Tribunal de Justiça e a algumas secretarias estaduais. Detalhamos como essa verba será gasta, mas faltou uma secretaria importante: a de Transporte e Obras Públicas, que terá 34,2 milhões a mais em caso de aprovação do projeto. Desse montante, R$ 22,2 milhões irão para implantação, pavimentação e recuperação da malha rodoviária estadual; R$ 5 milhões para implantação e recuperação de obras de arte especiais;
R$ 4 milhões para serviços de consultoria, gerenciamento e apoio à execução de obras e de projetos; R$ 3 milhões para implantação e melhoria de corredores, eixos e vias metropolitanas.
Falando em debate...
A Assembleia Legislativa ia promover um debate entre os três candidatos à presidência da OAB-ES hoje, por iniciativa do deputado Marcelo Santos (PDT), que tem muitos contatos no Judiciário. Mas o debate foi cancelado pelos organizadores.
A assessoria de Marcelo alegou que apenas um candidato (Elisângela) havia confirmado presença e, devido à baixa adesão, o debate foi cancelado.
A assessoria de Elisângela confirmou que ela havia confirmado participação. Ocorre que, segundo a assessoria de Brum, a presença dele também havia sido confirmada, por telefone, pela coordenação da campanha.
Já a assessoria de Rizk informou que a presença dele não foi confirmada em nenhum momento.
Erizk Musso
Coincidência ou não, o presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), ligado a Marcelo, recebeu Rizk na manhã de segunda-feira e, logo em seguida, fez um post no Facebook declarando apoio a ele: “Rizk é o meu candidato!”
Advogados da Amages
Em comício em Vila Velha, Homero Mafra disse, em discurso, que a chapa dele e de Brum não tem advogado da Amages, a Associação dos Magistrados do Espírito Santo. No debate de ontem, Brum disse o mesmo para Rizk. Os irmãos Raphael Câmara e Sandro Americano Câmara advogam para a Amages. O primeiro apoia Rizk e, indignado, oficiou Homero na terça-feira (20): “Ambos [Brum e Homero] não conhecem bem o Código de Ética da OAB ou, se o conhecem, preferem tangenciá-lo para ofender colegas que, minimamente, mereceriam os seus apoios, nunca as suas críticas”.