A “dor insuportável” descrita por Dona Sandra — a mãe que comoveu os telespectadores da TV Gazeta ao encontrar na rua o corpo do filho Willber Martins, de 23 anos, assassinado com 14 tiros na Serra na sexta-feira (31) — é algo que dimensiona o efeito irremediável das perdas ainda computadas para a violência diariamente.
Por mais que as políticas públicas estejam tendo resultado, como constatado com a importante guinada estatística dos números de homicídios no Estado em 2019, cenas como a de Dona Sandra confirmam que há muito ainda a ser feito. Se no ano passado, pela primeira vez em mais de 20 anos, o Estado conseguiu registrar menos de mil assassinatos, o choro desconsolado da mãe de Willber mostra que uma morte, sozinha, já carrega em si o peso da própria humanidade. É um sintoma de falhas estruturais que continuarão perpetuando a violência.
É por essa razão que o desalento de tantas Donas Sandras deve servir como motivação para cada gestor de segurança pública no combate da criminalidade. É o rosto dessas mães que deve ser lembrado quando planos e metas são estabelecidas. E não só no enfrentamento, é sempre preciso ir mais fundo, na raiz desse flagelo.
Um país sem oportunidades continuará sendo um país sem perspectivas de avanços sociais. Sem eles, a violência será o caminho mais curto para a realização dos desejos de quem não tem acesso a nada, ou a muito pouco. A mudança que se espera não virá com paliativos, e sim com políticas de Estado, bem direcionadas e executadas, com foco numa nova concepção educacional que reduza significativamente as vulnerabilidades sociais.
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As circunstâncias da morte de Willber ainda estão sendo investigadas e não mudam em nada a essência do que precisa ser feito. Não cabem julgamentos quando uma mãe chora a perda de seu filho, um pedaço arrancado de sua própria existência.
Dona Sandra não é a primeira, tampouco será a última, a perder um filho de forma tão dolorosa. E justamente por isso seu grito ecoa, em coro com o de tantas outras mães, como um apelo pela paz.