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Vitor Vogas

Do Paulo para o Geraldo

Falas do governador do Espírito Santo têm "inspirado" o discurso do candidato do PSDB à Presidência

Publicado em 04 de Setembro de 2018 às 21:41

Públicado em 

04 set 2018 às 21:41
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Crédito: Amarildo
“Eu não sou diferente de você. Eu também tô pê da vida. Eu também acho que do jeito que está não pode ficar. Mas, por mais indignada que eu esteja (e eu tô, muito), eu decidi que neste ano eu não vou votar com raiva. Com raiva a gente não pensa. E, quando a gente não pensa, a chance de fazer besteira aumenta. É só olhar o Facebook, WhatsApp. É muito ódio, muito discurso raivoso. Amigos brigando. País dividido. (...) É hora do equilíbrio, do bom senso. É hora de alguém que resolva, usando a cabeça e o coração.”
O texto é declamado pela atriz, uma mulher jovem e negra, que abriu o 1º programa eleitoral do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência, levado ao ar no último sábado. O trecho também abriu o programa de ontem, nos dois blocos.
O autor do texto provavelmente é um ou vários dos redatores da poderosa equipe de marketing do candidato. Mas parece ter sido soprado no ouvido da moça pelo governador Paulo Hartung (MDB). Ou o chefe do Executivo do Espírito Santo – simpatizante do PSDB e das posições políticas de Alckmin – tem mesmo trocado figurinhas com o presidenciável e sua equipe ou eles, simplesmente, pensam rigorosamente a mesma coisa. Acha que estamos exagerando? Confira comigo no replay:
Já no ano passado, Hartung ensaiava pronunciamentos nessa linha. No dia 6 de novembro de 2017, em entrevista à Rádio CBN Vitória, discorreu sobre o risco de que a atual disputa entre correntes políticas extremistas de direita e de esquerda propiciasse a ascensão de algum aventureiro populista em 2018 – adaptando no país a eleição de Trump, segundo Hartung “um bravateiro”, nos Estados Unidos. “Os extremos não são bons. Pessoas raivosas pensam com o fígado e não com a cuca.”
Em 29 de novembro de 2017, como palestrante do seminário “Cenários Políticos e Econômicos para 2018”, promovido pelo Sincades, Hartung enunciou estas palavras: “Ao longo da caminhada vamos acabar encontrando um nome, para tirar esse debate da mão dos extremos. Precisamos ganhar a população, que está irritada. É um perigo votar com o fígado em vez de votar com a cuca. Temos janeiro, fevereiro, março e em abril”.
Passaram-se os meses citados por Hartung. E, no dia 2 de maio, na cerimônia de posse de Eder Pontes, eleito para o 3º mandato de procurador-geral de Justiça, o governador voltou a alertar sobre a eleição presidencial: “Tem muita gente brincando com fogo quando fala dessa eleição. (...) O que nós vamos levar para a urna? O rancor que a gente tem? O sofrimento que dói a alma da gente? Se levarmos isso para a urna, vamos estabelecer mais 4 anos de aventura no nosso país. E o país não aguenta mais quatro anos de aventura. (...) O que nós temos que levar para a urna não é fígado. É cuca, é reflexão”.
Já em entrevista a A GAZETA publicada no dia 15 de julho, seis dias após ele ter anunciado a não candidatura, Hartung afirmou que “o ambiente no país está ruim, a população está irritada com tudo o que viu, e com razão. Mas isso cria as bases para um surto populista”.
Finalmente, no dia 22 de agosto – com as candidaturas já na rua e ao lado do ex-presidente FHC (PSDB), apoiador de Alckmin –, Hartung usou seus minutos de discurso no Fórum IEL de Gestão e advertiu o empresariado capixaba com um dito popular inspirado na roça e que também deve ser usado lá em Pindamonhangaba: “Passarinho que acompanha morcego acorda de cabeça pra baixo. (...) Não precisamos acordar de cabeça pra baixo”.
Nesta ele vai bem
Em levantamento da revista “Carta Capital”, Aridelmo Teixeira figura como o 10º candidato a governador mais rico do país, imediatamente atrás do empresário Paulo Skaf (MDB), candidato em São Paulo – o 8º –, e do senador Fernando Collor (PTC), candidato em Alagoas – o 9º. O ranking tem por base as declarações de patrimônio ao TSE. Aridelmo declarou R$ 17,2 milhões em bens.
To teach or not to teach
Antes de começar a ser assessorado pela agência da marqueteira Bete Rodrigues, o candidato estava assinando seus vídeos disparados pelas redes sociais como “Professor Aridelmo Teixeira”. Mas seu marketing decidiu cortar o “professor”, para não limitá-lo a uma categoria profissional. Curiosamente, no último programa eleitoral de TV, Aridelmo se dirigiu especialmente ao magistério capixaba.
Tradição e continuísmo
Senador por três mandatos (de 1987 a 2010), Gerson Camata (MDB) declarou apoio à reeleição de Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB) para o Senado. “Os dois estão trabalhando conjuntamente”, disse. “Em time que está ganhando não se mexe.” Camata se elegeu com Magno em 2002 e passou a bola para Ferraço em sua vaga, em 2010.
Olha ele aí de novo
Foi suplente de Camata (e assumiu). É o atual 1º suplente de Rose de Freitas e doou mais de R$ 1,1 milhão à campanha da senadora em 2014, por meio de sua empresa de metalurgia, a Ibrame – mais até do que a direção nacional do PMDB naquele pleito. Agora, o empresário Luiz Osvaldo Pastore (MDB) doou R$ 50 mil como pessoa física a Ferraço. Gente, por que um empresário nascido e estabelecido em São Paulo tem tanto interesse na eleição de senadores pelo Espírito Santo?

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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