Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Economia
  • Agrotóxicos perigosos têm potencial de risco reduzido pela Anvisa
Veneno

Agrotóxicos perigosos têm potencial de risco reduzido pela Anvisa

Novos critérios passaram a ser adotados para classificar defensivos agrícolas, inclusive rótulos e cores de embalagens

Publicado em 04 de Agosto de 2019 às 22:24

Publicado em 

04 ago 2019 às 22:24
Trabalhador rural manuseando agrotóxico em São Gabriel da Palha Crédito: Marcelo Prest/Arquivo
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou novas categorias e mudou a forma de classificar os agrotóxicos. Com as alterações, muitos produtos que antes estavam no topo da lista de risco, passaram a figurar em categorias menos letais, o que para os especialistas é um problema.
Ao todo o Brasil tem cerca de 2,3 mil agrotóxicos registrados e liberados para a comercialização. Com as mudanças, os defensivos agrícolas, que antes eram divididos em quatro grupos, passam a ser distribuídos em seis. As alterações são parte do novo marco regulatório do setor, publicado no final de julho.
Segundo o professor de análise de alimentos e coordenador da pós-graduação de Ciências Farmacêuticas da UVV, Rodrigo Scherer, o marco trouxe para o país uma identidade visual baseada no Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS) que já é seguido totalmente por 53 países no mundo e está em implantação em outros 12. “Essa equivalência vai ajudar a quem comprar os nossos produtos a saber o que está sendo usado neles”, aponta.
Porém, de acordo com a própria Anvisa, o novo marco atende parcialmente a GHS. Ele adota o padrão de comunicação do perigo no rótulo com as mesmas especificações internacionais, porém, os critérios para classificação de risco são diferentes. Apenas os produtos com efeito agudo, que levam à morte imediatamente, se enquadrarão como extremamente tóxicos, maior grau de risco. Antes outros fatores contavam, como irritação na pele e nos olhos.
“Com essa nova dinâmica de classificação, agrotóxicos com uso e liberação mais restritos vão, possivelmente, ser vendidos com mais facilidade. Os únicos beneficiados com essa nova regulação da Anvisa são os que lucram com a venda de agrotóxicos”, alerta Alan Tygel, membro da Campanha Permanente contra Agrotóxicos e da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
A Anvisa já reclassificou 1.950 agrotóxicos, 85% do total liberado à venda. De acordo com um levantamento do jornal “Folha de S. Paulo”, dos 702 defensivos que antes eram classificados como extremamente tóxicos, apenas 43 continuam nesse patamar. Ainda segundo o levantamento, outros 55 passarão a ser considerados como altamente tóxicos, 75 como moderadamente tóxicos, 277 como pouco tóxicos, 243 como improvável de causar dano agudo e cinco como “não classificados”. E, há ainda quatro que não tiveram dados informados.
O engenheiro agrônomo da Federação da Agricultura, Murilo Pedroni, afirma que, independente da nova classificação, é preciso ter precaução na hora de utilizar o produto. “Dizer que por mudar o nível de toxidade vai vender mais agrotóxico não procede. Todo agrotóxico precisa de receita para ser utilizado. O produtor precisa ser consciente e usar os equipamentos de proteção”.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Fim da escala 6x1 colocaria Brasil 'em linha com grande parte do mundo ocidental', diz jornal financeiro mais influente do mundo
Imagem de destaque
Por que operação contra Ciro Nogueira pode ameaçar delação de Vorcaro?
Polícia Civil deflagra megaoperação “Genesis” na Grande Vitória
Megaoperação na Grande Vitória mira esquema que fornecia placas falsas ao PCV

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados