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União Europeia

Europa anuncia R$ 242 bi de investimentos na América Latina e Caribe

Presidente Ursula von der Leyen fez o anúncio ao lado de Lula, durante cúpula na Bélgica

Publicado em 17 de Julho de 2023 às 14:50

Agência FolhaPress

Publicado em 

17 jul 2023 às 14:50
BRUXELAS - A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou na manhã desta segunda (17) que a União Europeia vai investir mais 45 bilhões de euros (R$ 242 bilhões) na América Latina e no Caribe, como parte do programa Global Gateway.
O anúncio aconteceu na abertura do fórum empresarial da cúpula Celac-UE, que acontece até nesta terça em Bruxelas, na Bélgica. O evento reúne líderes dos 33 países da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e os 25 da União Europeia (UE).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro bilateral com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas, na Bélgica
Lula com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas Crédito: Ricardo Stuckert/PR
"Quero hoje lançar nossa agenda de investimentos para 45 bilhões de euros para a América Latina e Caribe. Em conjunto, vamos priorizar os setores que receberão esse dinheiro", disse von der Leyen.
"O Global Gateway não faz só diferença pela dimensão. Cria uma nova abordagem e uma nova forma para apostar em novos projetos. É fundamental que o investimento se mantenha no local."
O programa geral prevê, até 2027, um investimento total de 300 bilhões de euros (R$ 1,6 trilhão) em todo o mundo. Esse dinheiro será usado em projetos de infraestrutura, climáticos e digitais para fortalecer as cadeias de abastecimento da Europa, impulsionar o comércio da UE e ajudar a combater a mudança climática.
No mês passado, em visita a Brasília, von der Leyen já havia anunciado investimento de 2 bilhões de euros (R$ 10,7 bilhões) em hidrogênio verde no Brasil.
"A América Latina e o Caribe podem vir a ser uma fornecedora de energia. O setor das eólicas cresce exponencialmente e o próximo passo é transformar isso em hidrogênio verde, que pode ser exportado entre continentes e pode ser usado na indústria local, em setores como aço ou nos carros e caminhões", afirmou ela, nesta segunda.
"Outro exemplo é a matéria-prima crítica. Ao contrário de investidores estrangeiros comuns, não estamos apenas interessados na extração dessas matérias-primas, mas sim em construir uma parceria."
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, respondeu que lançará nos próximos dias um novo plano de desenvolvimento para o Brasil. "Esse novo Brasil mais justo e solidário está sendo construído."
"Vamos retomar empreendimentos paralisados, acelerar outros e criar novos projetos. Ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Uma rede banda larga em todo o país será a base da educação. Com a reforma tributária em curso, simplificamos e tornamos a economia mais eficiente", afirmou ele.
"Nos mandatos anteriores, reduzimos o desmatamento em 80%. Desta vez, assumimos o compromisso de acabar com ele em 2030. E, nesse primeiro semestre, reduzimos 34% em relação ao ano passado."
Em relação a energia, Lula disse que "87% de nossa eletricidade vem de fontes renováveis, contra a média de 27% no mundo. E 50% de nossa energia é limpa, contra 15%".
Antes, o brasileiro havia se reunido a portas fechadas por quase meia hora com von der Leyen.
"A União Europeia vai investir muito nas comunidades da América Latina e no Caribe de forma a reduzir as desigualdades", afirmou von der Leyen.
"Queremos trabalhar de mãos dadas para os desafios dos novos tempos. Nossa ambição é resolver quaisquer diferenças e achegar a acordos de benefícios mútuos", disse a presidente da Comissão.
Lula lembrou que o Brasil menosprezou o comércio exterior e a diplomacia nos últimos anos. "E voltamos para colocar o Brasil no centro das discussões da comunidade internacional", afirmou ele.
"Temos forte tendência em energia renovável e pode ter certeza de uma coisa: a transição climática passa a ser prioridade de nosso governo", finalizou.
Apesar de o Mercosul estar fora da agenda de discussões, uma das missões de Lula na cúpula é arrancar um compromisso dos europeus de assinar o texto final do acordo ainda este ano.
Na sexta (14), o Brasil compartilhou com os demais países do Mercosul uma contraproposta a um texto que UE enviou em março. É esse novo documento que, se aprovado no bloco, Lula pretende que os europeus assinem antes de 2024.

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