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'Nova Indústria Brasil'

Plano de R$ 300 bi para a indústria acentua receio com quadro fiscal

Economistas são críticos ao formato do plano e apontam para volta da política de estímulo à industrialização

Publicado em 23 de Janeiro de 2024 às 09:49

Agência Estado

Publicado em 

23 jan 2024 às 09:49
Nova Indústria Brasil
O governo lançou, nesta segunda-feira (22), o pacote Nova Indústria Brasil Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O governo lançou, nesta segunda-feira (22), um plano de estímulo à indústria brasileira, marcado pela defesa, por parte da ala mais desenvolvimentista, do poder de indução do Estado na economia - sobretudo em áreas estratégicas, como a agenda verde.
Batizado de Nova Indústria Brasil, o pacote reedita políticas de antigas gestões petistas ao prever R$ 300 bilhões em financiamentos e subsídios ao setor até 2026, além de uma política de obras e compras públicas com incentivo ao conteúdo local (exigência de compra de fornecedores brasileiros).
Economistas são críticos ao formato do plano, e apontam para a volta da política de estímulo à industrialização iniciado no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que priorizou empresas de setores específicos na chamada política de "campeãs nacionais".
O anúncio teve também impacto no mercado, contribuindo para a queda de 0,81% do Ibovespa, principal índice da Bolsa, e a alta de 1,23% do dólar (a R$ 4,98). Analistas falaram em risco de agravamento do quadro fiscal, no momento em que a meta da equipe econômica de fechar as contas deste ano com déficit zero já é vista com desconfiança.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, rebateu as críticas e defendeu a volta do investimento estatal, alegando que outros países também estão nessa trilha, enquanto o ministro da Casa Civil, Rui Costa, citou uma "criminalização" ao apoio do governo para o desenvolvimento industrial. "Qual nação desenvolvida não está fazendo isso hoje em dia?", questionou.
Duas ausências chamaram quase tanta atenção quanto as cifras bilionárias: Fernando Haddad, da Fazenda, e Simone Tebet, do Planejamento. Os dois ministros, de perfil mais fiscalista, ficaram debruçados sobre os números do Orçamento de 2024 - sancionado por Lula nesta segunda-feira (22), no último dia do prazo. Uma reunião com o ministra do Planejamento fez com que Lula e Costa chegassem quase uma hora atrasados ao evento.
Ao fim, o presidente afirmou que eles tiveram "uma discussão ruim sobre coisas boas". Lula afirmou que os R$ 300 bilhões são um "alento" para a indústria "dar um salto de qualidade". "O nosso problema era dinheiro. Se dinheiro não é problema, então, nós temos de resolver as coisas com muito mais facilidade", disse Lula, ao cobrar os ministros para que apresentem resultados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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