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Sob nova direção

Troca de comando da Petrobras pode destravar investimentos no ES

Empresários e especialistas do setor acreditam que indicação de Magda Chambriard no lugar de Jean Paul Prates pode aumentar produção offshore de petróleo e gás no Estado

Publicado em 22 de Maio de 2024 às 18:13

Leticia Orlandi

Publicado em 

22 mai 2024 às 18:13
Petrobras
Sede da Petrobras em Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva
 A troca no comando da Petrobras, anunciada na semana passada pelo presidente Lula, é vista como uma oportunidade para o Espírito Santo receber mais investimentos da estatal. Lula decidiu demitir Jean Paul Prates do cargo de presidente da estatal e indicou, em seu lugar, a engenheira Magda Chambriard, funcionária de carreira da Petrobras e ex-diretora da Agência Nacional do Petróleo. 
Em geral, empresários do setor e especialistas ouvidos pela reportagem apontam que tanto Magda como Jean Paul são alinhados e participaram da formulação do plano de trabalho do governo para a estatal. Por isso, não devem ocorrer mudanças significativas nos planos da Petrobras no Espírito Santo, que é o terceiro maior produtor de petróleo e gás do Brasil.
Mesmo assim, a mudança no comando também é vista como uma oportunidade para aumento de extração de petróleo e gás offshore, visto que a Petrobras tem investido na perfuração de poços. Outro projeto considerado um "sonho" para ser retirado do papel é o polo gás-químico para produzir fertilizantes em Linhares.
Para Rafaele Cé, presidente da RedePetro ES, a nova presidente deve dar destaque no Espírito Santo à questão da exploração de petróleo offshore. Principalmente porque a empresa está em nova fronteira exploratória, perfurando novos poços no litoral do Espírito Santo. 
"Ela é uma pessoa que cuida e tem conhecimento da área de óleo e gás e deve dar um foco nisso, ajudando também a dar sobrevida nos projetos com a perfuração de novos poços em áreas exploradas", destacou.
Já o engenheiro Durval Vieira de Freitas, CEO da DVF Consultoria, avalia que, a curto prazo, não deve haver mudanças no direcionamento no Espírito Santo, que está num momento de perfuração de novos poços no offshore e à espera da FPSO Maria Quitéria, que vai aumentar em 100 mil barris a produção de petróleo no Espírito Santo a partir de 2025. 
Vieira lembra que a nova presidente da Petrobras participou de muitos eventos no Estado e conhece bem a situação do Espírito Santo. Com isso, a médio prazo uma das expectativas do mercado de energia é a retomada do projeto do polo gás-químico em Linhares. 
"Temos a perspectiva de dar mais ênfase ao gás, para aumentar a produção, mas trabalhando na redução do preço, para que seja mais acessível ao mercado. A perfuração de novos poços também é importante para aumentar a produtividade e pode resultar em novas plataformas no futuro", aponta. 
Márcio Felix, presidente da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo (Abpip), apontou ainda que um impacto positivo para o Espírito Santo é o aumento da movimentação da indústria naval com ocupação de estaleiros como o Jurong, no Norte capixaba. Ele avalia que o Estado pode ser competitivo num momento de fazer novas plataformas ou reformar. 
"Eventualmente, pode-se voltar a discutir um polo gás-químico no Espírito Santo para colocar o Estado na rota dos fertilizantes. Além disso, outro projeto interessante é um gasoduto no mar, aumentando o processamento de gás nas plantas do Espírito Santo", pontua. 

Nova presidente assume em 15 dias

Magda Chambriard vai assumir a Petrobras
Magda Chambriard vai assumir a Petrobras Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Quem vai assumir a Petrobras no lugar de Jean Paul Prates é a engenheira Magda Chambriard, que atuou mais de 20 anos na estatal. Segundo a Petrobras, o processo até ela iniciar no cargo leva em torno de 15 dias, pois seu nome passa pela análise das áreas de integridade e de recursos humanos da Petrobras para, em seguida, ser submetida à avaliação do Comitê de Pessoas (COPE) do Conselho de Administração. 
Magda Chambriard é mestre em Engenharia Química e Engenheira Civil e se especializou em engenharia de reservatórios e avaliação de formações e posteriormente em produção de petróleo e gás, na hoje denominada Universidade Petrobras. Iniciou sua carreira na Petrobras, em 1980, atuando sempre na área de produção, onde acumulou conhecimentos sobre todas as áreas em produção no Brasil.
Foi cedida à ANP, para assumir assessoria da diretoria de Exploração e Produção em 2002, quando atuava como consultora de negócios de E&P, na área de Novos Negócios de E&P da Petrobras. Na ANP, logo após assumir a assessoria, assumiu também as superintendências de exploração e a de definição de blocos, com vistas a rodadas de licitação.

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