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Vitor Vogas

Eder Pontes precisará construir pontes

Eder é o primeiro membro escolhido para o cargo três vezes para exercer mandatos inteiros

Publicado em 03 de Maio de 2018 às 22:08

Públicado em 

03 mai 2018 às 22:08
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Crédito: Amarildo
Ao tomar posse na última quarta-feira (2) em sua volta ao comando do Ministério Público Estadual (MPES), Eder Pontes conseguiu dois feitos inéditos na história da instituição. Desde 1966, o MPES já teve 19 procuradores-gerais de Justiça. Eder é o primeiro membro escolhido para o cargo três vezes para exercer mandatos inteiros – há um precedente, o de João Valdetaro Netto, mas um dos três mandatos dele foi tampão. Eder também é o primeiro procurador-geral de Justiça a ser reconduzido ao cargo em mandatos não consecutivos – há dois precedentes, mas, de novo, só merecem notas de rodapé, pois exerceram mandatos-tampão.
Essa eleição, no entanto, também foi marcada por outro fato que, se não é inédito, tampouco é muito comum (na verdade, não ocorria havia 12 anos): tal como em 2004 e em 2006, o primeiro e o segundo colocados ficaram praticamente empatados na votação dos próprios pares para formação da lista tríplice, primeira etapa do processo de escolha. O primeiro (Eder) teve 167 votos, só um a mais do que o segundo, Marcello Queiroz, opositor interno daquele. Para se ter uma ideia da mudança, em 2014, Eder foi candidato único, reeleito por aclamação da categoria. Já em 2016, conseguiu fazer sua sucessora, Elda Spedo, que agora lhe devolve o bastão, com vantagem bem mais expressiva sobre o segundo colocado (Queiroz): 175 votos a 103.
Além de indicar crescimento da oposição a Eder e a seu grupo político dentro do MPES, uma votação tão parelha sinaliza uma instituição politicamente dividida no momento. Não sem razão, o governador Paulo Hartung fez questão de enfatizar, na cerimônia de posse de Eder, a necessidade de o “novo” procurador-geral de Justiça priorizar a reunificação do MPES em seu retorno ao topo hierárquico da instituição. Hartung foi praticamente prescritivo, tomando todas as liberdades para dizer sem rodeios o que acha que Eder deve fazer, na linha “fica a dica”.
“A votação mostrou que tem um trabalho a ser feito na instituição, delicado, compenetrado. Sua trajetória e sua experiência lhe dão todas as condições para fazê-lo. Que ela (a instituição) tenha suas divergências, mas que tenha a unidade. Essa unidade precisa ser construída. Essa é a sua tarefa”, disse Hartung para Eder, diante de centenas de pessoas, incluindo todas as maiores autoridades públicas do Espírito Santo. Mais claro impossível.
Não por acaso, também, o próprio Eder se antecipou aos conselhos do governador. Em seu pronunciamento, deu peso importante a essa mensagem de busca de unidade institucional uma vez encerrado o período oficial de disputa política no MPES – o qual naturalmente expõe diferenças e divisões. A ideia perpassou o discurso de Eder, no qual ele conclamou a classe à reunificação:
“Esse espírito de união deve se propagar. Queremos crer que, finalizada a disputa democrática no âmbito do MPES, qualquer dissenso quanto aos rumos da política institucional é coisa passada. É hora de trabalhar o presente, em conjunto, todos nós. (...) Não tenho dúvidas de que, quanto mais unidos, mais fortalecidos estaremos e mais poderemos fazer em prol da sociedade, destinatária dos nossos serviços”.
O colunista é dado a trocadilhos e este é fácil demais, mas não poderia ser mais verdadeiro e, por isso, inevitável: para ser exitoso nesta sua agora iniciada terceira passagem pela chefia do MPES, Eder tem pela frente, antes de mais nada, a missão de reconstruir pontes. Boa sorte para ele.
Votação: peso relativo
O governador Paulo Hartung mencionou, de passagem, a vitória numérica de Eder na votação interna do MPES, mas deixou claro que não foi esse o critério determinante em sua escolha. De fato, com um resultado que pode ser considerado praticamente um empate técnico, não seria nem um pouco extraordinário se Hartung tivesse optado pelo segundo mais votado nesse caso. Situação muito diversa, por exemplo, foi a do presidente Michel Temer (PMDB), que quebrou uma tradição ao escolher Raquel Dodge em 2017 para chefiar o MPF, em detrimento de Nicolao Dino, o mais votado na lista tríplice formada pelos pares, com vantagem de 34 votos sobre Dodge.
Eder elogia Hartung
“O Espírito Santo hoje é exemplo positivo de gestão para o Brasil inteiro por conta da sua capacidade de administrar, o que tem sido reconhecido em todo solo nacional”, disse Eder àquele que o escolheu.
Sai fígado, entra cuca
De PH, na posse de Eder, sobre a eleição presidencial: “Tem muita gente brincando com fogo quando fala dessa eleição. (...) O que nós vamos levar para a urna? O rancor que a gente tem? O sofrimento que dói a alma da gente? Se a gente levar isso para a urna, nós vamos estabelecer mais quatro anos de aventura no nosso país. E o país não aguenta mais quatro anos de aventura. (...) O que nós temos que levar para a urna não é fígado, é cuca, é reflexão”.
“Extremistas de plantão”
“Que ao invés de a gente procurar salvador da pátria, extremista de plantão que promete terreno na Lua e não entrega, que a gente procure um caminho sólido, que realmente lidere o país na direção das reformas de que o país precisa”, arrematou o governador.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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