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Opinião da Gazeta

Atendimento 24h, porque a violência contra a mulher não tem hora marcada

Não há como não se estremecer com o noticiário no Espírito Santo, quando se trata de violência contra a mulher. Agressões, violência sexual, morte. Um cardápio que assombra a sociedade

Publicado em 06 de Abril de 2023 às 01:00

Públicado em 

06 abr 2023 às 01:00

Colunista

Violência
Mulher espancada pelo companheiro com pau e até cerâmica em Vila Nova de Colares, na Serra Crédito: Ari Melo
Uma mulher de 27 anos foi espancada durante a madrugada pelo companheiro 28 dias após terem passado a dividir o mesmo teto. Pouco mais de 24 horas depois, uma jovem de 18 anos também foi agredida pelo namorado. Ele arremessou um celular que explodiu quando atingiu o rosto dela. Não satisfeito, ainda a feriu com uma paulada.
Dois exemplos recentes entre centenas de outros. Não há como não se estremecer com o noticiário no Espírito Santo, quando se trata de violência contra a mulher. Agressões, violência sexual, morte. Um cardápio que assombra a sociedade.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) tem alguns números: de janeiro a março deste ano, foram aproximadamente 5,6 mil registros de violência contra a mulher em todo o Estado, ou 62 mulheres agredidas por dia, em média. Ainda se luta contra a subnotificação, que se fortalece quando há obstáculos de todos os tipos para as denúncias: da dependência afetiva ou financeira à falta de acolhimento institucional.
Se o primeiro fator é fortalecido com ações que promovam a autonomia feminina, o segundo depende de uma mudança de mentalidade no atendimento desses casos, para uma recepção mais humanizada de mulheres vítimas de violência. A Lei 14.541, que prevê desde terça-feira (4) que as delegacias da mulher em todo o país funcionem 24 horas, todos os dias, pode ser considerada uma forma de ampliar essa rede de proteção. Com profissionais especializados, as mulheres poderão se sentir mais seguras e acolhidas. 
No Espírito Santo, o que vai mudar, de acordo com o delegado-chefe da Polícia Civil, delegado José Darcy Arruda, é que nas delegacias em regime de plantão passarão a ter espaços especializados serão chamados de "Salas Marias". Não há informações detalhadas sobre como será essa operação e o custo para os cofres públicos, tampouco há data prevista para a implantação. O que se espera é que o tratamento dado às mulheres seja com dignidade e cuidado, para que as vítimas se sintam seguras quando precisarem do atendimento.
O número de ocorrências relacionadas a crimes de gênero no Estado, por si só, justifica a ampliação da infraestrutura. De forma racional, é perfeitamente possível aprimorar a forma como mulheres vítimas de violência são recebidas pelo poder policial, com atendimento especializado a qualquer hora, todos os dias. Os crimes não têm hora para acontecer.

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