Uma fotografia das tendências da bancada federal capixaba revela uma nítida (e celebrada) sintonia com as principais demandas da sociedade, como mostrou reportagem deste jornal que abriu espaço para os três senadores e os dez deputados se posicionarem sobre alguns dos temas mais urgentes para o país, que ainda precisa engatar a própria recuperação econômica, mas também garantir segurança pública à população e reduzir a violência no trânsito, só para citar três dos assuntos mais sensíveis colocados em pauta.
A sobriedade e a racionalidade com as quais a maior parte da bancada encara esses desafios é digna de elogios. O compromisso com o interesse público mostra-se, assim, inequívoco. Deputados e senadores precisam, contudo, colocar os discursos em prática quando o momento exigir.
Os parlamentares souberam aproveitar o espaço disponibilizado pelo jornal para marcar presença no debate público, permitindo que os eleitores que deram a eles seu voto em outubro do ano passado possam avaliar a trajetória, principalmente quanto a bandeiras comuns às erguidas pelo Palácio do Planalto, como a reforma da Previdência, cujo parecer apresentado na semana passada pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da reforma na Comissão Especial, começa a ser colocado em discussão. À exceção da senadora Rose de Freitas, que não respondeu às perguntas enviadas a sua assessoria. Perdeu a oportunidade de estabelecer um diálogo saudável com aqueles que representa no Congresso.
Sobre a reforma, foram raras as vozes dissonantes quanto à necessidade da proposta atual, posição demarcada somente por Hélder Salomão. Os demais parlamentares ainda discordaram de determinados pontos, a maioria já deixados de fora pelo relatório a ser apreciado. Contudo, é forte o eco para que a reforma atinja os Estados, algo que ainda pode ser incluído na proposta. Cabe aos próprios parlamentares serem a concretização desse desejo, a saúde fiscal dos Estados depende desse engajamento.
Foi particularmente reconfortante constatar que o que é essencial para o país está à frente de qualquer agenda de perfumaria. A reforma tributária também é praticamente unânime, assim como a defesa do endurecimento da legislação proposto pelo pacote anticrime, com uma ou outra ponderação. E enquanto o afrouxamento de determinados pontos do Código de Trânsito Brasileiro recebeu as devidas críticas, a Escola sem Partido não é encarada com relevância pela maioria dos parlamentares. Que os parlamentares mantenham-se determinados e com foco nas prioridades, o Espírito Santo (e o país) conta com vocês.