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Opinião da Gazeta

Barragens irregulares no ES são represas de irresponsabilidade e omissão

De acordo com a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), 40% das 35 mil barragens em território capixaba estão em situação irregular, aumentando o risco de rompimentos

Publicado em 24 de Março de 2023 às 01:00

Públicado em 

24 mar 2023 às 01:00

Colunista

Represa
Duas represas se romperam em Pinheiros, e a força da água destruiu um trecho da estrada que liga as comunidades de Brunelli e 15 de Maio Crédito: Leitor | A Gazeta
O poder público assume desconhecer a existência de um número considerável de barragens e represas no Estado, o que pode ajudar a explicar os incidentes recentes de rompimento dessas estruturas, principalmente na região norte. Isso porque há um mar de construções irregulares que, além de não terem a documentação necessária, são erguidas sem cumprir técnicas de engenharia e não passam por manutenção regular.
Uma irresponsabilidade dos proprietários, mas também uma omissão ou incapacidade fiscalizadora desse mesmo poder público.
barragem que se rompeu em Pinheiros, no Norte do Espírito Santo, na noite do último dia 14, é um desses casos. O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) constatou a situação irregular da construção. No Espírito Santo,  de acordo com a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), 40% das 35 mil represas estão nessa situação, o que eleva os riscos de tragédias ambientais.
O rompimento da estrutura usada para a irrigação de lavoura de café e mamão deixou um rastro de destruição: o  trecho da estrada que liga as comunidades de Brunelli e 15 de Maio desmoronou  com a força das águas, que ainda fizeram ruir outras represas pelo caminho e causaram prejuízos aos produtores rurais da região. Não chovia no momento, e especialistas acreditam que houve falha técnica.
Em dezembro passado, a BR 101, em São Mateus, também no Norte do Estado, teve trecho do km 71 destruído após o rompimento de uma represa às margens da rodovia. A enxurrada carregou o asfalto, e o momento em que a cratera começou a abrir foi registrado por quem passava pelo local.
Como no caso de Pinheiros, o proprietário  também descumpria as exigências legais para a construção e manutenção da barragem. A Agerh, à época, informou que ele seria multado.
Enquanto isso, o trajeto pelo local segue inviabilizado, atrapalhando o cotidiano de quem precisa transitar pela BR 101. Na segunda-feira (20), a Eco101 informou que as obras de reconstrução foram adiadas para abril. A pista segue interditada, com a necessidade de um desvio.
A decisão de construir uma represa deve ser cercada de responsabilidade, seguindo o regramento vigente. Barragens construídas fora dos padrões, para baratear custos, colocam em risco o meio ambiente como um todo: um rompimento de uma represa tem uma dimensão capaz de tirar vidas. E o poder público, nos âmbitos municipais e estadual, precisa estar mais atento ao perigo causado por essas construções ilegais.

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