Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Editorial
  • Capitão Assumção: chacota com tornozeleira é desrespeito com a Justiça
Opinião da Gazeta

Capitão Assumção: chacota com tornozeleira é desrespeito com a Justiça

Deputado não retirou o equipamento na tribuna da Assembleia, segundo a Sejus, mas encenação não deixa de ser um acinte com decisão judicial que provocou a medida

Publicado em 10 de Fevereiro de 2023 às 00:45

Públicado em 

10 fev 2023 às 00:45

Colunista

Tornozeleira
Deputado estadual Capitão Assumção (PL) com carregador de tornozeleira na mão Crédito: Reprodução/ YouTube
Mesmo que a conclusão da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) tenha sido a de que o  deputado estadual Capitão Assumção (PL) não retirou a tornozeleira durante a sessão da última terça-feira (7)  na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, a encenação promovida pelo parlamentar merece reprovação. Simbolicamente, não deixa de ser um desrespeito a uma decisão judicial.
O deputado, reeleito em outubro com a segunda maior votação da Casa, começou a usar o aparelho em 15 de dezembro, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, cumprida pela Polícia Federal durante uma megaoperação nacional que atingiu também o Espírito Santo. Ele é suspeito de participação em atos antidemocráticos e milícias digitais, com envolvimento em esquema de divulgação de fake news e ataques a ministros do Supremo.
O ato debochado da última terça-feira — quando durante a fase de comunicações da sessão ordinária o deputado interrompeu sua fala e ergueu diante das câmeras um equipamento preto, que segundo o relatório da Sejus trata-se do carregador móvel da tornozeleira, o que não impede o seu funcionamento — não foi o primeiro dentro do ambiente da Assembleia. Em dezembro, poucos dias após a decisão de Alexandre de Moraes,  Assumção usou a tribuna para chamar de "fofoca" a investigação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). E disse que a tornozeleira era uma medalha de honra e um troféu, ironizando a aplicação da medida cautelar.
Na sessão de terça passada, Assumção voltou a se referir à tornozeleira:  “Só um instantinho que vou tirar um negócio que está me atrapalhando, senão não vou falar direito. Depois eu coloco de novo”, retirando o dispositivo na frente dos colegas e diante das câmeras da TV Assembleia. Batendo com o objeto na tribuna, criticou o Poder Judiciário e o Ministério Público Estadual: “Respeito o Ministério Público, mas já repararam como o Poder Legislativo está sendo achincalhado?”
Em fevereiro de 2022, 722 pessoas eram monitoradas no Espírito Santo por tornozeleiras eletrônicas. São alvos da Justiça que precisam cumprir as suas determinações,  e quando um deputado estadual trata com tanto desprezo, acaba também servindo de mau exemplo. Vale reforçar que Capitão Assumção não descumpriu suas obrigações, mas continua esticando a corda, numa escalada de provocações. Cabe ao Ministério Público determinar se há um limite para tanto.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Carro de vítima que morreu no acidente ficou destruído
Colisão entre três veículos deixa uma pessoa morta na BR 101
Imagem de destaque
Gripe em cachorro: veja os sintomas e as formas de prevenção
Imagem de destaque
Anitta será uma das atrações em abertura da Copa do Mundo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados