Uma das esquetes mais recentes do Porta dos Fundos, famoso grupo de humor da internet, deu destaque ao carnaval de Vitória, ao falar do bloco Amigos da Onça, que agitou a região da Rua Barão de Monjardim na terça-feira de carnaval. A simples menção à folia capixaba já mostra uma mudança considerável: há cinco anos, a piada de um vídeo como esse seria a própria existência de um carnaval de rua tão animado na Capital, algo que só poderia ser tratado de forma irônica. Agora, a cidade possui blocos para todos os gostos, como se viu na semana que passou, e acabou sendo escolhida pelos humoristas para figurar ao lado de outros grandes centros que são referência da folia.
O samba, portanto, não pode atravessar, deixando escapar a oportunidade que desfila diante dos olhos. Vitória tem a chance de construir uma fama carnavalesca, que consiga continuar mantendo seus moradores-foliões na cidade durante o feriado e atrair cada vez mais turistas. Para isso, prefeitura e governo estadual devem estar atentos, aprimorando a capacidade de atrair investimentos para esse período, de forma coordenada. A inspiração nem precisa vir de tão longe: Belo Horizonte e São Paulo são dois grandes exemplos de carnaval de rua bem-sucedidos nos últimos anos no Sudeste. Capitais que não tinham tradição momesca que passaram a ser destino de milhares de foliões. E é sempre bom lembrar que para o carnaval crescer de forma sustentável, é vital uma cadeia de infraestrutura: trânsito, segurança e serviços são os pilares para garantir a qualidade da experiência de quem curte a festa.
Vitória, além de tudo, possui um diferencial que pode ser ainda mais bem trabalhado: o fato de o carnaval por aqui começar uma semana antes, com os desfiles no Sambão do Povo. Um evento cada vez mais profissional e grandioso, resultado de um trabalho que teve início no final dos anos 90. Nota dez de evolução! A realização dos desfiles antecipadamente foi uma estratégia acertada que deve ser mantida.
O carnaval é festa, brincadeira. É o momento de extravasar, mas também tem o poder de chacoalhar positivamente a economia. Por mais que pareça um contrassenso, é possível organizar o carnaval sem descaracterizá-lo, tirando proveito do que a festa tem de melhor: a epidemia de alegria que é capaz de proporcionar.