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Opinião da Gazeta

Criminosos subiram o sarrafo da ousadia na sexta-feira. E isso não pode se repetir

Os tiros na direção de duas das principais artérias viárias da cidade, na hora do rush, mostraram uma audácia que preocupa quem teme que a Grande Vitória se torne um novo Rio de Janeiro

Publicado em 23 de Agosto de 2022 às 02:00

Públicado em 

23 ago 2022 às 02:00

Colunista

Jesus de Nazareth
Avenida Leitão da Silva e Avenida Beira-Mar foram interditadas por policiais na sexta-feira (19) Crédito: Leitor | A Gazeta
O mal-estar ainda permanece, na ressaca da interdição do trânsito nas avenidas Leitão da Silva e Marechal Mascarenhas de Moraes (Beira-Mar) na altura da escadaria do bairro Jesus de Nazareth, em Vitória, na noite da última sexta-feira (19). Um gosto amargo, mesmo que as forças policiais tenham reagido rápido e entrado no bairro sem resistência.
Os tiros na direção de duas das principais artérias viárias da cidade, na hora do rush, mostraram uma audácia que preocupa quem teme que a Grande Vitória se torne um novo Rio de Janeiro. Especialistas e as próprias autoridades de segurança pública garantem que não há essa possibilidade no horizonte,  mas cenas como a de sexta-feira causam um assombro na sociedade que não pode ser desconsiderado.
Como disse o especialista em segurança pública Henrique Herkenhoff, que escreve aos domingos na Gazeta, durante entrevista ao ES 1 de sábado (20), os bandidos tiraram a polícia para dançar. E é possível complementar essa metáfora: o maior perigo é permitir que passem a ditar também o ritmo da dança. É inaceitável que o Estado, que detém o uso da força, seja desafiado dessa forma. Não se cobra aqui uma reação com truculência, mas com estratégia. E a melhor delas continua sendo se antecipar às movimentações criminosas, com investimento permanente em inteligência.
Mais cedo, na sexta, um jovem de 27 anos havia sido morto em confronto com  a Polícia Militar, que afirmou que ele estava em um grupo de suspeitos armados. Já é um modus operandi das facções reagir ou provocar a reação nos bairros após essas ocorrências, o que exige um monitoramento policial imediato e presente nas horas seguintes. Vale repetir: é questão de estratégia.
Outros dois confrontos armados foram registrados horas depois em bairros distantes da Capital: na Grande Santo Antônio, na noite de sexta, com quatro pessoas baleadas e um morto, e em Andorinhas, no início da madrugada de sábado, com quatro feridos. Um jovem de 18 anos morreu no hospital. Nesta segunda-feira (21), o confronto entre gangues rivais e posterior intervenção da polícia foi em Vila Velha.
Demonstrações de força do crime já estão fazendo parte da rotina da Grande Vitória, sob o risco de se banalizarem. Com os tiros e o foguetório da última sexta-feira, os criminosos subiram o sarrafo das intimidações, mas foram imediatamente reprimidos, a autoridade do Estado se impôs. Não pode haver espaço para que provocações assim se repitam.

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