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Opinião da Gazeta

Insegurança no transporte público no ES prejudica a mobilidade urbana

Registro de furtos e roubos em coletivos teve aumento no Espírito Santo em 2023, o que afeta diretamente o direito de ir e vir das pessoas

Publicado em 08 de Janeiro de 2024 às 01:00

Públicado em 

08 jan 2024 às 01:00

Colunista

Transporte público
Ônibus do sistema Transcol circulando, em Vitória Crédito: Ricardo Medeiros
As reclamações de quem utiliza o transporte público para os seus compromissos diários são conhecidas: ônibus que não passam no horário, veículos lotados, valores das passagens, frota insuficiente, desconforto geral. Mas é muito provável que a insegurança dentro dos coletivos (e também nos pontos de ônibus e terminais) seja o que mais atormenta quem depende do sistema.
Por isso, a informação de que houve aumento de furtos e roubos no transporte público no Espírito Santo no ano passado causa apreensão. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), foram registrados 2.531 roubos e 1.671 furtos em 2023. Em 2022, foram 2.049 e 1.531, respectivamente.
Para quem não tem outra opção de locomoção na Grande Vitória, acaba sendo uma questão de sorte e azar. O fato é que se trata de um crime de oportunidade, e a depender das circunstâncias os usuários podem estar mais ou menos vulneráveis: ônibus lotado é um prato cheio para furtos, enquanto coletivos vazios podem ser uma oportunidade para um roubo, ou assalto, como popularmente se diz.
2023, muito possivelmente, foi o ano no qual "voltamos ao normal" no pós-pandemia, há mais pessoas circulando nas ruas e, consequentemente, nos ônibus. Em 2022, esse retorno à normalidade foi engatilhado.  A crise sanitária foi cenário de algumas mudanças importantes no Sistema Transcol, como a adoção exclusiva do Cartão GV e o aumento da frota com ar-condicionado. O aplicativo que indica o horário e a localização dos ônibus funciona a contento.
Ou seja, houve melhorias consideráveis, mas não suficientes para tornar o transporte público mais atrativo. E a insegurança contribui muito para isso.
O transporte público ainda segue incapaz de fazer quem tem carro deixá-lo em casa, principalmente para a rotina do trabalho. E ao mesmo tempo, na outra ponta, muitos trabalhadores não têm renda suficiente para sustentar duas passagens de ônibus por dia.
É possível que a realização de mais blitze nos ônibus consiga dar um freio nos furtos e roubos, mas é preciso encarar a realidade de que a polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Contudo, as estatísticas podem contribuir para ações mais estratégicas, como foco nas linhas, rotas e horários com mais ocorrências. Mais fiscalizações de qualidade podem aumentar a sensação de segurança dos usuários, bem como tornar o direito de ir e vir de fato um direito. 
E, enfim, transformar o transporte coletivo verdadeiramente numa escolha. Não falta de opção.

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