Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Editorial
  • Lava Jato sem autonomia será uma força-tarefa enfraquecida
Opinião da Gazeta

Lava Jato sem autonomia será uma força-tarefa enfraquecida

Augusto Aras deseja a centralização, com todos os processos e investigações dessa e de outras forças-tarefas passando pela Procuradoria-Geral da República (PGR)

Publicado em 07 de Agosto de 2020 às 06:00

Públicado em 

07 ago 2020 às 06:00

Colunista

Augusto Aras, procurador-geral da República (PGR)
Augusto Aras, procurador-geral da República (PGR) Crédito: Arquivo/Antonio Cruz/Agência Brasil
As intenções de Augusto Aras naquilo que ele descreve como a reformulação da Lava Jato são cada vez mais explícitas. Todos os processos e investigações dessa e de outras forças-tarefas deverão passar pela Procuradoria-Geral da República (PGR), consolidando assim a concentração de poder na cúpula do Ministério Público Federal, com a descaracterização da atuação autônoma  que foi essencial para os seus notórios êxitos.
É nesse ponto que se torna necessário um pequeno exercício de abstração. Imagine a completa inexistência de  disputas políticas, com propósitos apenas de se atingir melhores resultados nos processos investigativos, inclusive para aparar arestas e corrigir possíveis derrapadas jurídicas.
Para tanto, deveriam ser executadas medidas de aprimoramento, não o desmonte de uma estrutura que desde 2014 foi responsável por desbaratar um esquema bilionário de corrupção nas entranhas do poder político-econômico brasileiro, com ramificações internacionais.
A ameaça à independência dos procuradores é, acima de tudo, um risco para a própria efetividade das forças-tarefas, não só a Lava Jato. A centralização é a formalização da burocracia, impedindo o rápido andamento das apurações.
O procurador-geral da República e sua equipe tampouco terão fôlego para realizar um acompanhamento rigoroso da produção investigativa dos quatro cantos do país, é medida totalmente contraproducente. Será, mais uma vez, o Brasil sendo Brasil. Justamente o que a Lava Jato conseguiu superar com a eficiência de seus métodos. 
Ademais, é leviano afirmar que a Lava Jato funciona como uma caixa-preta, cercada de mistério. Já houve até mesmo uma nota de esclarecimento da 13ª Vara Federal afirmando o compartilhamento de diversas decisões com órgãos públicos, como Receita Federal e Tribunal de Contas da União (TCU). A própria Justiça  impôs correções à Lava Jato, quando houve excessos. 
O prazo para a renovação da Lava Jato no Paraná vence no próximo dia 10 de setembro, data que pode ser um divisor de águas para a força-tarefa. Se for renovada, a estrutura  e os recursos humanos, de procuradores a servidores de apoio, serão mantidos. O pedido é de que seja prorrogada por seis meses, e a decisão será da própria PGR.
A guerra entre Augusto Aras e os procuradores se acirrou com a demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, e o emaranhado político do embate envolve de Jair Bolsonaro a Lula. Os interesses se expõem por si próprios, sem muito esforço. A desmoralização da força-tarefa, contudo, bagunça ainda mais esse jogo de forças, mas sobretudo a própria forma como se combate a corrupção no país. Oportunistas não faltam. E terão muito a comemorar com a desestruturação da operação que tanto temiam.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

As eleições presidenciais continuam em aberto: cadê a terceira via?
Aniversário de 80 anos de Nelson Ferlin
Nelson Ferlin celebra 80 anos com festa em família em Vila Velha
Unidade da Audionova inaugurada em 2024 em São Paulo
Multinacional suíça anuncia compra de empresa capixaba

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados