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Opinião da Gazeta

Um déjà vu inaceitável

Tragédia de Brumadinho, três anos depois da de Mariana, é a constatação de que, no Brasil, erros nunca servem de aprendizado

Publicado em 26 de Janeiro de 2019 às 00:22

Públicado em 

26 jan 2019 às 00:22

Colunista

O rompimento da barragem de Brumadinho em Minas Gerais, pouco mais de três anos após o desastre de Mariana, também naquele Estado e com prejuízos que perduram para o Espírito Santo, vem confirmar da pior maneira o poder de destruição do descaso, seja ele governamental ou empresarial. Ainda é cedo para determinar as causas do novo desastre, mas, diante do que já pode ser visto, mais uma vez a imagem do país sairá completamente arranhada. Uma vergonha. É a constatação de que, no Brasil, erros nunca servem de aprendizado.
A Vale informou que a barragem tinha capacidade de 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, o equivalente a 25% do volume total da estrutura de Fundão, em Mariana. O que não minimiza a dimensão da catástrofe: pela estimativa elevada de desaparecidos feita pelo Corpo de Bombeiros, é possível que a tragédia humana supere, e muito, a de novembro de 2015, por ter ocorrido numa região mais povoada. A lama atingiu a área administrativa da Vale e parte da comunidade da Vila Ferteco.
A barragem não estava entre as 45 que possuíam notificação de risco no Brasil, segundo o cadastro nacional dessas estruturas elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA) com informações repassadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Sua classificação no relatório era de baixo risco de acidentes e alto potencial de danos, uma avaliação feita por cinco organizações fiscalizadoras de Minas Gerais. É obrigatória uma investigação rígida, que apure se houve negligência da Vale, dona da barragem, ou vista grossa da fiscalização. Fica, contudo, a certeza de que atividades de alto risco ambiental ainda carecem de mais segurança.
Há três anos, a lama que desceu da barragem de Fundão, da Samarco, matou 19 pessoas e deixou um rastro de destruição ao longo do Rio Doce. O Espírito Santo continua sentindo seus efeitos
nocivos, com o impacto ambiental e social, nas regiões ribeirinhas, e o prejuízo econômico da paralisação das atividades da mineradora, que ainda não foi superado. Ontem, o Brasil inteiro compartilhou um déjà vu, aquela sensação de já ter vivido algo. Não foi mera impressão. É inaceitável que uma catástrofe dessas proporções tenha se repetido em tão pouco tempo.

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