Com os dois pés bem fincados no campo de oposição ao governo Paulo Hartung, o secretário-geral da ONG Transparência Capixaba, Edmar Camata, confirma com exclusividade: vai se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), do ex-governador Renato Casagrande, para ser candidato a deputado federal.
Sobrinho do ex-senador de mesmo sobrenome, Edmar Camata tem 36 anos, dez deles dedicados à atuação na ONG que, sem exagero, virou referência na luta contra a corrupção e por mais transparência no poder público no Espírito Santo. A ONG foi criada em novembro de 2001, no auge da crise do governo José Ignácio, com denúncias de corrupção pipocando a todo instante. Sua fundação, portanto, foi um dos marcos de uma luta na qual o então senador Paulo Hartung também teve protagonismo e a partir da qual elegeu-se governador pela primeira vez, no ano seguinte. Agora, ironicamente, Camata – a cara da Transparência Capixaba nos últimos anos – decide se filiar ao PSB, entre outras razões, por não concordar com os caminhos que o governo atual tomou.
“Não entro no PSB para fazer oposição ao governo. Mas existe uma questão muito sólida de que hoje temos um déficit de debate político no Espírito Santo. Defendemos um Estado debatedor, mas vemos que isso ficou para trás e foi substituído por atropelos, decisões tomadas em gabinete e intervenções na vida em sociedade que geram traumas muito difíceis de serem superados. Por exemplo, o processo de conversa durante a greve da PMES deixou a sociedade refém. É uma situação que obviamente não foi resolvida porque a PMES não foi ouvida.”
Apesar da postura crítica, Camata evita classificar a si mesmo como novo representante da frente de oposição ao atual governo. “O que posso te dizer claramente é que o Espírito Santo hoje tem um quadro de algumas situações políticas e administrativas que historicamente não foram bem recebidas pelas pessoas que trabalham no combate à corrupção e pela eficiência na gestão pública. Por exemplo, a nomeação no alto escalão do atual governo de pessoas com condenação na Justiça. O Estado hoje tem 250 obras paradas e se coloca como exemplo de excelência em gestão. Isso é muito claro, são dados do Geo-Obras, do Tribunal de Contas.”
Camata opta pelo PSB após conversar com 14 agremiações e ouvir a opinião de cerca de 500 pessoas em uma consulta feita por ele pela internet. Na reta final, ficou entre PSB, PPS e Rede. Segundo Camata, que também é policial rodoviário federal, também pesaram em sua escolha a sua afinidade pessoal com o PSB e a identificação que ele vê no partido, regional e nacionalmente, com algumas causas defendidas pela ONG.
Ele cita, por exemplo, que o senador João Capiberibe (PSB-AP) é o autor da Lei Complementar 131/2009. Conhecida como a “Lei da Transparência”, é a que obriga os entes públicos a manter portais da transparência e disponibilizar, em tempo real, informações detalhadas sobre os gastos e a execução orçamentária.
Localmente, Camata lembra que foi Casagrande quem criou, em seu primeiro ano de governo (2011), o Conselho Estadual de Transparência Pública e Combate à Corrupção. “Era uma demanda bastante represada. Esse conselho tem formação paritária e participa das decisões mais importantes que temos hoje. A Transparência Capixaba tem uma vaga cativa lá. Por exemplo, quando a Cesan negou acesso a dados do esgoto na Baía de Vitória, foi o Conselho que recorreu e garantiu a divulgação dos dados. Em 2014, pela primeira vez o Espírito Santo ganhou o índice nacional de Transparência da ONG Contas Abertas, que avalia os portais da transparência”, cita ele.
“Vivo e fico”
De mais importante mesmo na coletiva de imprensa de Marina Silva, ontem, cercada por redistas do Espírito Santo, destacamos a declaração dada pelo prefeito da Serra, Audifax Barcelos, de que não disputará as eleições deste ano. Como chegamos a sustentar aqui, a hipótese de Audifax deixar a prefeitura para ser candidato a governador era mesmo remotíssima. Mas agora ele a descartou de público e de uma vez por todas. Depois do “eu vivo” de 2016, o “eu fico” de 2018.
Rose não vai para a Rede
Entre redistas do Espírito Santo, já é considerada absolutamente nula a chance de a senadora Rose de Freitas (PMDB) se filiar ao partido de Marina Silva. O convite realmente foi feito a ela por Audifax. Rose não topou. Em primeiro lugar, a Rede tem míseros 10 segundos de TV e uma cota muito modesta do Fundo Partidário. Segundo e mais importante: Rose está piamente convencida de que o governador Paulo Hartung sairá do PMDB.
Inarredável
Na última quinta-feira, logo após a inauguração do novo Aeroporto de Vitória, Rose voltou a afirmar que não arreda pé do PMDB e menos ainda de sua resolução de levar a disputa pela legenda para convenção partidária, em julho, se necessário for. Ninguém vai demovê-la.
Não rolou para Lamas
Mesmo tendo decidido permanecer no PSB, o deputado estadual Bruno Lamas, pré-candidato a deputado federal, diz que quer ter o apoio de Audifax Barcelos à sua candidatura. Mas não vai ter. O prefeito bem que tentou filiar Lamas à Rede. Agora, vai dar preferência aos nomes lançados pelo partido e concentrar seu apoio neles. Afinal, a Rede precisa urgentemente aumentar a bancada no Congresso.