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EducarES

A educação em transformação

Com a tecnologia cada vez mais presente no cotidiano, o ambiente educativo se adapta a essa nova realidade, na qual o aluno também passa a ser protagonista no processo de ensino-aprendizagem

Publicado em 04 de Novembro de 2022 às 10:00

Publicado em 

04 nov 2022 às 10:00
Educação; tecnologia; sala de aula
A escola se volta para a tecnologia e também para o protagonismo dos alunos no processo de ensino-aprendizagem Crédito: Drazen Zigic/Freepik
A educação tem passado por transformação significativa nos últimos anos. A chegada à escola da chamada Geração Alpha — crianças nascidas a partir de 2010 — já “conectada” e com capacidade acentuada na resolução de problemas e familiaridade com os dispositivos tecnológicos é um ponto de partida.
O movimento foi acelerado pela pandemia da Covid-19, quando as escolas precisaram se apoiar mais em recursos tecnológicos para continuar seu trabalho no período de isolamento social.
Nesse contexto, a escola se volta para a tecnologia e também para o protagonismo dos alunos no processo de ensino-aprendizagem, primordial para essas crianças que estão nos anos iniciais da vida escolar.
Com a tecnologia mais presente no cotidiano das pessoas, os ambientes educativos também se adaptam a essa nova realidade. Por isso, a perspectiva é que a escola do futuro será mais interativa, participativa, colaborativa, altamente tecnológica e influenciada pelas redes e mídias sociais.
Paralelamente, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais – ou soft skills – dos estudantes para além da informação é outro ponto importante a ser mais observado pelas instituições de ensino daqui para frente, visto que será uma forma de preparar os nativos digitais para as profissões e desafios do futuro. Esses  e outros conceitos estarão em debate na próxima quarta-feira (9), no evento EducarES, promovido pela Rede Gazeta. Os interessados podem se inscrever no site do projetos.ag/educares.

Papel da Escola

Criada para promover aprendizagens e formação humana, a escola tem papel de desenvolver um indivíduo que vai voltar para a sociedade e aplicar nela o conhecimento adquirido. E esse processo está em movimento, pensando o aluno como protagonista, mas sem perder a essência e esses princípios de formação.
Para atender os alunos que estão apenas iniciando sua jornada escolar, as chamadas crianças nativas digitais da Geração Alpha, a escola e os pais têm papel de orientar para que saibam filtrar as informações, segundo explica a psicóloga e educadora parental Lícia Assbu.
“A transmissão de conhecimento não faz mais sentido. É preciso colocar o aluno como protagonista, mas orientar para ele ter acesso a uma informação de qualidade. Deixar seu filho sozinho na internet é igual deixar sozinho na rua, porque estamos em época de fake news e eles podem ter acesso a todo tipo de conteúdo”, explica.
Para Tatiana Bello, gerente de implementação do Itaú Social, a educação é um pilar estratégico quando se pensa na construção do conhecimento na sociedade.
“Cada vez mais os espaços educativos estão pautados por relações entre educador, crianças e jovens numa parceria de relação que vai se construindo.”

Construção do Conhecimento

Ao longo dos anos, o papel do professor também se transformou. Se no passado o profissional atuava transmitindo conhecimento, hoje ele é um mediador dos conteúdos produzidos em sala de aula, pontua  a doutora em educação e professora da Ufes Cleonara Schwartz.
"Essa construção em todas as etapas passou por esse processo de mudanças e rupturas para buscar metodologia que trouxesse os estudantes para o centro do processo, envolvendo o sujeito também como produto de conhecimento"
Cleonara Schwartz - Doutora em Educação e professora da Ufes
A educadora observa que com a mudança no papel do professor, que passou a fazer a mediação dos saberes produzidos e os estudantes que precisavam se apropriar deles, a metodologia se transformou, envolvendo pesquisa, estudo de caso e construção de reflexões.
“Ou seja, houve uma diversificação das atividades no interior da escola para promover o envolvimento para o ensino mais reflexivo e descoberta dos estudantes.”
A inclusão de outros ambientes no processo, como o próprio bairro, os passeios e visitas, experiências fora da escola que as instituições promovem, passou a ser objeto de aprendizagem na busca por metodologia mais dinâmica.

Desafios

Com essa nova realidade, um dos desafios apontados por especialistas é o cuidado que se deve ter para que a escola não perca o papel central na produção de conhecimento. A professora da Ufes avalia que é preciso ter cautela com o material trabalhado na escola, que chega pronto por meio de livros e apostilas.
“Não é por isso que o professor deixa de ser esse profissional mediador, porque ele precisa ir além do que está na apostila. Ele não é um mero cumpridor de roteiro, definido por alguém que nem conhece os alunos dele e suas diferenças de aprendizagem. Por isso, a criança não vai aprender sozinha, ela precisa da mediação profissional”, defende.
Para Tatiana Bello, a falta de igualdade é também um desafio a ser enfrentado.
“A tecnologia vem transformando a vida de todos nós e percebemos como os avanços vêm modificando o impacto na educação. Infelizmente, a gente não tem igualdade de oportunidades quando falamos em tecnologia, seja em equipamentos, seja no acesso à internet”, constata.

O que preocupa as famílias

No processo educacional, as famílias são peça-chave no processo de construção do conhecimento, sendo o termômetro para a escola dos avanços quando o estudante mostra para a família o que tem aprendido em sala de aula. Mas será tão somente o aprendizado o que preocupa as famílias?
A psicóloga e educadora parental Licia Assbu conta que, em uma pesquisa recente da Febraban, revelou-se que os assuntos que lideram a conversa e a preocupação em casa são o respeito às diferenças e o bullying.
“O levantamento mostra que quatro entre 10 alunos até o 9º ano já sofreram bullying. Se pensar que hoje também existe o cyberbullying, fica ainda mais preocupante. A partir do momento que a interação traz prejuízos emocionais, deixa de ser uma brincadeira”, adverte.
Tatiana Bello acrescenta que a evasão escolar é também um dos principais receios das famílias atualmente. Uma pesquisa realizada pelo Itaú Social em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Fundação Lemann apontou risco de 40% dos alunos matriculados na educação básica deixarem a escola.
“Hoje, há uma preocupação dos pais relacionada à permanência na escola e ao ambiente educativo. Por isso, a busca ativa escolar é uma metodologia que tem sido usada pelas redes para trazer de volta os alunos”, frisa.

Como as escolas estão se preparando para o futuro

Diante de todos os desafios do novo momento do processo ensino-aprendizagem, Cleonara Schwartz aponta que é preciso investir em políticas para valorizar as inovações educacionais, ter escolas bem aparelhadas e profissionais devidamente qualificados para usar a tecnologia.
Tatiana Bello acredita que entre os avanços nos próximos 10 anos podem estar o metaverso e ambientes que combinam a realidade virtual com a real. “Sem dúvidas vamos ter avanços que vão impactar a forma e a relação com o aprendizado e desenvolvimento.”
O desenvolvimento de habilidades socioemocionais é outro ponto a ser observado, na avaliação de Lícia Assbu.
“A maioria das profissões que nossos filhos vão trabalhar ainda não existe. A escola tem que estar preocupada em trabalhar também as habilidades socioemocionais das crianças — assim como os pais — porque informação elas vão ter de fácil acesso por serem da Geração Alpha. E essas habilidades vão ser o grande diferencial na vida deles”, destaca.
Segundo Bruno Loyola Del Caro, presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Espírito Santo (Sinepe), com a escola no futuro sendo mais interativa, participativa e altamente tecnológica, as instituições vão acompanhar as novidades educacionais e sair da rotina, agregando conhecimentos com ensino personalizado, criatividade, inovação, metodologias ativas e metaverso.
Outra tendência apontada pelo presidente do Sinepe é a digitalização. Aos poucos, o papel está sendo substituído pelas telas, e o conteúdo, além de mais interativo, é móvel e pode ser acessado de qualquer lugar via internet.
Tudo isso apresenta diversas vantagens, afirma Del Caro, tanto para alunos quanto para professores, principalmente aplicando metodologias ativas, tecnologias digitais e muitas outras técnicas.
"O que importa é que o novo conquista, fascina e faz tudo se tornar mais fácil e divertido, principalmente para crianças e adolescentes"
Bruno Del Caro - Presidente do Sinepe-ES
A rede pública também passa por transformações e projeta avanços em propostas como o “Escola do Futuro”, da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), que visa ao fomento da inovação nas escolas.
Essa iniciativa, segundo a assessoria, está vinculada a projetos pedagógicos que transformam as características físicas e estéticas da unidade escolar, com foco na aprendizagem dos estudantes e proporcionando uma formação integral, baseada nas competências do século XXI.
“A proposta é preparar o aluno para o futuro do mercado de trabalho. O projeto vai mapear e potencializar o ensino de competências do século XXI, a partir do uso de laboratórios, salas de informática com internet banda larga, impressoras 3D, programas de edição de vídeo e imagem, jogos educacionais e outros recursos tecnológicos”, finaliza.

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