Quem nunca ouviu falar da regra dos cinco segundos? Se um alimento cai no chão, basta contar até cinco para decidir se ele ainda pode ser salvo. Na era da hiperconexão, porém, a contagem é outra: três segundos podem ser suficientes para decidir se uma informação, uma imagem ou uma conversa merece a nossa atenção.
E o que há de mais importante do que atenção?
Com o tema “Foco no futuro: como ensinar, aprender e trabalhar na era da distração”, o Educares 2026 reuniu cerca de 1,5 mil jovens nesta quarta-feira (2), no Centro de Convenções de Vitória. Organizado pela Rede Gazeta, o evento colocou em debate os desafios da educação, da formação profissional e das escolhas de carreira em um cenário marcado pelo excesso de estímulos e pela hiperconexão.
A programação reuniu estudantes e professores em uma série de atividades e conversas com profissionais de diferentes áreas. Entre os assuntos discutidos estiveram orientação vocacional, desenvolvimento de carreira, habilidades do futuro, educação, tecnologia e as transformações no mercado de trabalho.
Em seu segundo ano consecutivo como mediador do evento, o ator Marcos Veras reforçou a importância de valores como respeito e ética para a construção de uma carreira.
“Eu acredito muito na prática do respeito da ética. A competição faz parte, mas eu acho que você respeitar os seus valores, a sua ética, o próximo, sem querer passar por cima de ninguém, eu acho que a vida se encarrega também de te dar o melhor. Vivemos em um mundo que é um pouco cruel, mas eu ainda sou um cara otimista”, afirma.
Para quem ainda está no ensino médio, falar sobre o futuro também significa lidar com dúvidas. A estudante do primeiro ano, Rafaela Costa Bisi, de 15 anos, viu o evento como uma oportunidade para pensar melhor sobre os caminhos que pode seguir.
“Eu espero realmente descobrir o que eu posso seguir na minha formação, o que eu posso fazer na minha carreira, ter uma ideia melhor do que eu posso fazer na minha vida. Eu gosto muito da área de artes, mas outra coisa que me interessa muito também é a psicologia. Existe aquela questão de seguir o sonho, que é as artes, ou seguir o que eu acho que daria mais certo, que é a psicologia. Só vou descobrir se eu me esforçar.”
A indecisão também faz parte dos planos de seu colega de turma, Davi Longui Ferreira, de 15 anos. Entre engenharia, arquitetura, design, jogos e programação, ele ainda tenta descobrir qual caminho combina mais com seus interesses.
“Eu gosto muito dessa parte de engenharia, arquitetura, programação, é um negócio que me interessa também. Eu estou muito indeciso dessa área de exatas, se eu vou trabalhar com design de interiores ou se eu vou para a área mais do futuro, que é de jogos, programação. Eu acho que o evento ajuda a gente a se descobrir melhor e também fala mais a respeito sobre cada profissão, até pode fazer com que eu saia daqui com mais opções.”
À frente da apresentação do Educares 2026, o apresentador Will Loyola também falou sobre a experiência de participar do evento e sobre a importância de escolher uma profissão levando em consideração interesses e habilidades pessoais.
“Fico muito feliz, na verdade. É um dos maiores eventos de comunicação do Estado. Eu me divirto muito e ao mesmo tempo fico muito feliz pela confiança da Rede Gazeta em mim. Isso é muito gratificante e eu sei também que é um privilégio também.”
Para Will, a própria trajetória profissional foi construída a partir de sonho e identificação com aquilo que escolheu fazer.
“Eu, quando escolhi a minha profissão, foi muito baseada em sonho, em dom e eu acho que às vezes é por aí. A gente vai trabalhar feliz quando a gente vai fazendo uma coisa que a gente gosta muito. É seguir o seu instinto, é o principal.”
O evento contou ainda com o painel Arena Profissões, mediado por Marcos Veras, com a participação de profissionais de diferentes áreas. A conversa abordou as transformações no mercado de trabalho, as competências que serão valorizadas no futuro, o impacto da tecnologia na educação e as possibilidades de carreira.
Entre os convidados estiveram Neidy Christo, presidente da ABRH-ES; Carolina Fernandes, médica e fundadora da Lauduz; Jales Cardoso, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional; Richardson Schmittel, diretor regional do Senac-ES; Nathan Carvalho, nutricionista e criador de conteúdo digital; e Eurípedes Pedrinha, diretor do Sebrae no Espírito Santo.
O coordenador do curso de Logística da Escola José Rodrigues Coutinho, em Cariacica, Adalrir Nascimento, levou 52 alunos do terceiro ano ao evento. Para ele, a experiência pode ajudar os estudantes a conhecer novas possibilidades profissionais.
“Justamente para clarear a mente deles do que vem de tecnologia e modernização pra poder eles interagirem com as novas profissões que estão surgindo. Relacionado à logística, relacionado à tecnologia, relacionado à administração em geral. Então tendo esse norte, depois o limite é com eles.”, afirma.
Se para alguns estudantes o Educares ajudou a abrir possibilidades, para outros, o evento serviu para confirmar escolhas que já estavam sendo construídas. É o caso de Gustavo Mattos, de 17 anos, aluno do terceiro ano da EEEFM Hunney Everest Piovesan. Ele já atua na área de borracharia móvel e pretende cursar Ciências Contábeis para ajudar a administrar os próprios negócios.
“Eu já tinha um pouquinho de ideia porque eu já atuo na área. A Arena de Profissões aqui abriu mais um pouquinho a minha mente, que fez eu entender melhor o que eu queria. Eu já sabia o que eu queria, mas a Arena fez eu ter mais certeza sobre o que eu quero da minha vida, qual profissão que eu vou seguir.”
Gustavo conta que ainda tinha dúvidas sobre a formação e encontrou no evento a oportunidade de conversar com profissionais e entender melhor como funciona a carreira que pretende seguir. Entre as palestras, um dos temas que mais chamou sua atenção foi o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.
“Eu gostei bastante da parte da IA, sobre a IA substituir as pessoas no mercado. Foi bem interessante, porque eu não sabia nada de dados. Eu só sabia que tinha isso, mas não sabia a quantidade de pessoas que estavam desempregadas. Aqui colocaram bastante coisa na mesa, eu fiquei por dentro e achei interessante.”
Mais do que apresentar profissões, o Educares 2026 colocou os próprios estudantes no centro de uma discussão que não tem resposta pronta: como escolher um caminho para o futuro em um mundo que muda cada vez mais rápido — e em que, antes de decidir para onde ir, é preciso aprender a manter o foco.
*Este conteúdo foi produzido por Robertha Araújo, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação do analista de Comunicação Institucional Ângelo Parrella.