Roubos e furtos não têm o peso dramático dos homicídios, mas são indicativos consistentes da sensação de insegurança. Em Vitória, a cada duas horas uma pessoa sofre esse tipo de violência. É o tipo de crime que faz crescer o medo nas ruas, afetando significativamente a qualidade de vida.
A violência na Capital é típica da criminalidade que emerge das desigualdades sociais. Enquanto os homicídios são rotina nos bairros mais pobres, roubos e furtos são infortúnio sobretudo nas áreas mais nobres. É patente que há exceções, mas políticas eficientes de segurança pública precisam ter isso como cerne. As autoridades não podem, contudo, deixar de buscar mecanismos, recursos humanos ou tecnológicos, que inibam a ação de bandidos.
Não é coincidência que os bairros com mais ocorrências sejam aqueles onde não só há patrimônio de mais valor disponível, mas também maior possibilidade de rotas de fuga. Jardim da Penha, o mais visado, está incrustado entre avenidas de grande circulação e possui diversas saídas. O mesmo vale para Praia do Canto e Jardim Camburi. O monitoramento deve ser constante.
Ainda é cedo para ver os resultados consolidados do cerco eletrônico, por exemplo. Mas já é um caminho. O que não dá é para fechar os olhos, todos têm medo de ser a próxima vítima.