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Jornalismo

Enquanto o aeroporto não saiu do papel, muita coisa mudou

Editora-executiva de A GAZETA esteve presente na cobertura jornalística dos 16 anos de promessas de ampliação do Aeroporto de Vitória

Publicado em 28 de Março de 2018 às 22:11

Públicado em 

28 mar 2018 às 22:11

Colunista

Novo terminal do Aeroporto de Vitória Crédito: Fernando Madeira
Numa rápida busca no arquivo do jornal A GAZETA é possível ver as primeiras matérias que já cobravam obras no aeroporto de Vitória, no início de 2000. A necessidade de uma nova pista, diante do tamanho da anterior, era a motivação. E foi aí o início de uma história que vem se arrastando por quase duas décadas.
Lembro-me bem de, naquela época, ainda um pouco foca (jornalista novata), mas já promovida à editora-adjunta de Economia, ver que o tema “aeroporto” era um dos grandes filões de cobertura da editoria. A área de Economia sempre teve jornalistas setoristas. E, desde sempre, se a gente queria saber qualquer coisa sobre o aeroporto, bastava perguntar a jornalista Rita Bridi. Por anos, ela cobriu a novela (que não imaginava que iria tão longe) à espera de um terminal digno da economia capixaba.
O primeiro passo para a obra, anunciada em junho de 2001, foi o aumento da pista em 300 metros, e já se falava que a grande obra ficaria para 2002. E que começaria em dezembro daquele mesmo ano, gerando 3,5 mil empregos. O jornal deu várias manchetes e editoriais cobrando e comemorando a realização do empreendimento. A partir daí, várias idas e vindas aconteceram, cercadas de promessas, denúncias de superfaturamentos, novas promessas, um “puxadinho” e muita decepção para os capixabas.
São 16 anos... O país mudou tanto, o mundo mais ainda e o Espírito Santo cresceu economicamente e em população. Tivemos um presidente operário, uma mulher presidente, um escândalo de corrupção que envolveu os dois anteriores, e um impeachment... Gente, não existia Facebook (2004), nem mesmo WhatsApp (2009). O Espírito Santo se livrou do crime organizado, passou a ter seis grandes shoppings (nessa época só tinha um), e contabilizou algumas tragédias, como ter seu principal rio destruído pela lama.
Ou seja, enquanto o aeroporto não saiu do papel, muita coisa aconteceu e mudou a realidade local, nacional e internacional. Mas enquanto ele não saiu do papel, nós jornalistas trabalhamos muito para não deixar morrer o noticiário de cobrança sobre a obra e sua demora. Afinal não foram 16 dias de atraso.
O aeroporto se tornou a primeira grande bandeira da redação. Lembro-me já como editora de Economia de momentos tensos vividos pelos repórteres principalmente diante de muitas informações desencontradas sobre o superfaturamento e a seguida paralisação das obras. Desde sempre, nosso papel foi clarear os fatos e priorizar a informação de interesse público.
Com o passar dos anos, em algumas das nossas reuniões de pauta, o aeroporto se tornou quase uma lenda. Quase ninguém acreditava que sairia realmente. A repórter Rita Bridi se aposentou e não viu a obra pronta enquanto ainda estava na Redação. No seu lugar, novos repórteres começaram a encarar a saga do empreendimento. Hoje é um dia de festa, sim, mas de cobrança também para que novos “aeroportos” não estejam mais no caminho do Espírito Santo.
* Elaine Silva é editora-executiva e ex-editora de Economia de A GAZETA

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