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Patrimônio

Inhotim não será penhorado para pagar dívidas de seu fundador com a União

Acordo acerta abatimento de passivo bilionário do grupo Itaminas, mantenedor do museu

Publicado em 29 de Abril de 2021 às 17:43

Agência FolhaPress

Publicado em 

29 abr 2021 às 17:43

Um acordo estabelecido nesta quarta (28), entre a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o grupo Itaminas, mantenedor de Inhotim, garante que o museu não seja penhorado como parte do pagamento de uma dívida bilionária da mineradora com a União.

A dívida do conglomerado de indústrias com a União é de R$ 1,6 bilhão, segundo Celio Marcos Lopes Machado, advogado do grupo Itaminas. Ele afirma que, no decorrer da negociação, chegou-se a cogitar a expropriação e a penhora do museu, um dos bens do Itaminas.

O Instituto Inhotim fica localizado em localizado em Brumadinho (MG)
O Instituto Inhotim fica localizado em localizado em Brumadinho (MG) Crédito: Instituto Inhotim

O acordo estabelece um plano de amortização de R$ 1,2 bilhão do valor devido, segundo a Procuradoria. Os R$ 400 milhões restantes ainda serão discutidos judicialmente.

Em nota, o Inhotim informa conhecer e acompanhar os processos de negociação envolvendo o conglomerado em âmbitos federal e estadual. Diz ainda que "o grupo Itaminas é um dos principais mantenedores do Inhotim, cuja saúde financeira 'bem como a de todos os seus apoiadores' colabora para a perenidade da instituição, que tem inquestionável relevância para a arte, a educação, o turismo e a cultura do estado e do Brasil."

Além de um dos acervos mais relevantes de arte contemporânea do mundo, o museu a céu aberto em Brumadinho, próximo a Belo Horizonte, tem uma coleção botânica com espécies raras de todos os continentes.

O grupo Itaminas, do qual Bernardo Paz, fundador do Inhotim, é ex-sócio, também tem uma dívida com o estado de Minas Gerais, no valor de R$ 111,7 milhões. Em outubro do ano passado, a Justiça não permitiu que este montante fosse pago com um conjunto de obra do museu.

As obras, que incluem trabalhos de Adriana Varejão, Cildo Meireles e Amílcar de Castro, seguiriam expostas no museu, como estão hoje, mas passariam a ser propriedade do governo do estado. O valor inicial devido por Paz era de R$ 471,6 milhões, mas com a aplicação de reduções previstas em lei passou para os atuais R$ 111,7 milhões. O conjunto de obras de arte é avaliado em R$ 619 milhões, valor quatro vezes superior ao saldo devido.

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