Um projeto-piloto desenvolvido no Espírito Santo está testando o uso de gás natural na secagem do café, em uma tentativa de substituir a lenha, tradicionalmente utilizada nessa etapa da produção.
O experimento,desenvolvido pela ES Gás, em parceria com o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), foi realizado durante a atual safra de conilon em uma fazenda de Linhares, no Norte do Estado, e é considerado inédito no Brasil.
O objetivo é avaliar se o gás natural pode ser uma alternativa tecnicamente viável para o processo de secagem dos grãos. Segundo os responsáveis pelo projeto, a tecnologia pode permitir maior controle da temperatura e estabilidade durante a operação, além de reduzir impactos ambientais associados à utilização de lenha.
Segundo o presidente do CCCV, Fabrício Tristão, a pesquisa representa um passo estratégico para ampliar o valor agregado do café capixaba.
O projeto tem potencial para mudar esse cenário ao avaliar uma tecnologia que pode oferecer maior controle do processo, elevar o padrão do café produzido no Espírito Santo e abrir novas oportunidades para nossos produtores.
Fabrício Tristão, presidente do CCCV
Os testes foram realizados em escala comercial e completaram três meses de acompanhamento na última semana. Segundo a ES Gás, os equipamentos foram utilizados reproduzindo as condições encontradas normalmente durante a produção.
Além do desempenho dos secadores, a pesquisa acompanha consumo energético, controle térmico, qualidade do café, eficiência operacional e aspectos relacionados à sustentabilidade. Diferentes tecnologias e fabricantes também estão sendo avaliados.
Entre os pontos analisados no teste estão a viabilidade técnico-operacional, econômica e financeira, os impactos socioambientais e as condições regulatórias para uma eventual expansão da tecnologia para outras propriedades produtoras.
O gerente de Planejamento de Expansão da ES Gás, Guilherme Cabral, reforçou a importância do projeto para a modernização da cafeicultura capixaba.
Mais do que testar uma nova fonte de energia, o projeto busca entender como soluções tecnológicas podem contribuir para uma produção mais controlada, padronizada e competitiva.
Guilherme Cabral, gerente de Planejamento de Expansão da ES Gás
A expectativa é que a substituição da lenha também possa reduzir a emissão de fumaça durante o funcionamento dos secadores. De acordo com a proposta do projeto, esse é um dos impactos avaliados na pesquisa, junto ao consumo de energia e ao desempenho da secagem.
A iniciativa será apresentada durante o Vitória Coffee Summit 2026, na próxima quinta (20) e sexta-feira (21), no Cais das Artes, em Vitória, como um dos principais exemplos da capacidade de inovação da cafeicultura capixaba.
Dentro da programação do Vitória Coffee Summit, a Rede Gazeta também realiza, na quinta-feira (20), o Diálogos.ag, às 14h. O encontro terá como tema "Logística global do café: tendências, infraestrutura e competitividade".
A discussão será mediada pelo colunista de A Gazeta Abdo Filho e contará com a participação de Gustavo Paixão, diretor de Terminais da Log-In Logística Integrada; Anderson Carvalho, diretor de Operações da Imetame; e Pedro Benevides, CEO da Vports.
O debate vai abordar os desafios logísticos enfrentados pelo setor e a infraestrutura necessária para ampliar a competitividade do café produzido no Espírito Santo no mercado nacional e internacional.
Vitória Coffee Summit
Com aula de ioga e shows de Amesa e Aline Maria, além da Feira Curva e da praça de alimentação.
Quinta (20) e sexta-feira (21)
A partir das 9h
Cais das Artes - R. Judite Maria Tovar Varejão, 530 - Enseada do Suá, Vitória.
Vendas pelo site Meu Bilhete clicando aqui.