Um vídeo que mostra um muro balançando (veja acima) no bairro Brunella, na região de Terra Vermelha, em Vila Velha, repercutiu nas redes sociais e preocupou moradores. As imagens levaram uma equipe do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) a vistoriar a construção, localizada na Avenida Barra de São Francisco, nesta segunda-feira (27), quando foram identificados problemas na execução da estrutura.
A obra, iniciada no ano passado, já havia sido embargada pela Prefeitura de Vila Velha na semana passada. A equipe de fiscalização urbanística foi ao local após a repercussão do vídeo e suspendeu os trabalhos por falta de licenciamento municipal. Na ocasião, a prefeitura não apontou problemas estruturais ou risco de queda do muro como motivos para o embargo.
Durante a avaliação realizada nesta segunda-feira, o Crea-ES identificou que os pilares foram cortados na parte inferior, dos dois lados, para permitir a passagem de tubulações da rede elétrica. Segundo o gerente da Unidade Técnica do conselho, Giuliano Battisti, o corte de aproximadamente cinco centímetros teria reduzido a sustentação da estrutura e provocado a movimentação registrada no vídeo. "Com o vento, perdeu-se a sustentação inferior e isso está causando essa movimentação", explicou Battisti.
Ari Melo
A construção fica em uma região com bastante circulação de pedestres e veículos. Parte das paredes foi feita com placas de EPS, material conhecido popularmente como isopor e que pode ser utilizado como alternativa os tijolos tradicionais.
O uso do material é permitido, mas algumas placas se desprenderam da estrutura. Conforme o Crea-ES, isso pode ocorrer quando não há fixação adequada ou quando o material é produzido sem acompanhamento técnico. “Ele acaba desplacando, e pedaços podem cair em quem está próximo. Se a obra for concluída dessa forma, quem estiver utilizando o local pode se machucar”, alertou o gerente.
Ari Melo
Um encarregado pela obra, que preferiu não se identificar, informou que serão feitos reparos nas paredes e na estrutura que receberá o telhado. O muro que apresentou movimentação ainda será avaliado e poderá ser demolido caso seja constatado comprometimento estrutural.
O Crea-ES informou que continuará acompanhando a construção até concluir a avaliação técnica da estrutura.
*Com informações da repórter Quézia Prado, da TV Gazeta