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Decisão judicial

Defensoria será guardiã de famílias com casas ameaçadas de demolição na Barra do Jucu

Justiça Federal mantém a suspensão da ordem de desocupação visando à saída de 18 famílias que teriam imóveis situados em área de preservação ambiental na Praia do Barrão

Publicado em 25 de Maio de 2026 às 13:25

Tiago Alencar

Publicado em 

25 mai 2026 às 13:25
Praia da Barra do Jucu. Victor Jubini

O impasse envolvendo a desocupação e demolição de imóveis localizados na orla da Praia do Barrão, em Vila Velha, ganhou mais um capítulo na Justiça Federal. A 5ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) aceitou que a Defensoria Pública da União (DPU) intervenha no caso e atue oficialmente como guardiã das cerca de 18 famílias com imóveis no local.


Além disso, os desembargadores do TRF-2 também decidiram manter a suspensão das ordens de desocupação visando à saída de aproximadamente 60 pessoas, entre crianças, idosos e deficientes, dos imóveis que estariam situados em uma área de preservação ambiental. As desocupações estão suspensas até que a Corte julgue uma apelação de 2025 sobre o caso.


A decisão que autoriza a intervenção da DPU no processo de desocupação e demolicação de imóveis em Vila Velha é da última quarta-feira (20) e responde a recurso apresentado pela própria Defensoria Pública da União, cujo pedido para ingressar na ação havia sido negado pela 4ª Vara Federal Cível de Vitória.


Conforme mostrou reportagem de A Gazeta, em 26 de fevereiro deste ano, o desembargador federal Mauro Souza Marques da Costa Braga, relator do caso, acolheu um pedido da DPU e mandou interromper o cronograma que previa o início da desocupação forçada, também por decisão judicial, para 3 de março. 


Já as demolições estavam agendadas para ocorrer aproximadamente 30 dias após a retirada dos moradores. Dessa forma, a decisão último dia 20 confirma a monocrática de fevereiro deste ano, quando ainda não havia sido submetida a colegiado.

MPF e prefeitura negam vulnerabilidade de famílias

Durante o andamento do recurso da DPU no TRF-2, o Ministério Público Federal (MPF) e a Prefeitura de Vila Velha foram intimadas a se manifestarem sobre a situação de vulnerabilidade das famílias alegada pela Defensoria Pública da União.


Segundo o relatório com assinatura de 12 de abril deste ano, ao qual a reportagem de A Gazeta teve acesso, tanto o MPF quanto a prefeitura sustentam que desocupação da área está relacionada exclusivamente a questões ambientais e de interesse público.


Em reposta à intimação, a prefeitura defendeu que a fase atual é de cumprimento de sentença, na qual possui o dever de fiscalizar e promover a recuperação do ecossistema local, inclusive com a demolição de edificações irregulares. 


O Executivo municipal, ainda de segundo o documento assinado pelo desembargador Mauro Souza Marques da Costa Braga, avaliou a intervenção da DPU como "incabível por gerar tumulto processual" e ressaltou que a ocupação irregular em bem de uso comum configura uma infração ambiental continuada.


A prefeitura também sustentou que a remoção segue um plano técnico aprovado e que já foram estabelecidos parâmetros para proteger a dignidade dos ocupantes, como prazos para desocupação voluntária e encaminhamento para abrigos públicos ou programas habitacionais


Da mesma forma, o MPF, em sua resposta ao TRF-2, disse considerar a atuação da Defensoria Pública da União  "subsidiária e desnecessária", uma vez que as famílias já estariam sendo representadas por advogados. Além disso, o Ministério Público afirmou que não foi comprovada uma situação de vulnerabilidade que justificasse a intervenção da DPU.


Por nota, a Prefeitura de Vila Velha informa que cumprirá a decisão do TRF-2 e se manifestará nos autos do processo dentro dos prazos legais. "O município reforça que todas as medidas relacionadas à área da Praia do Barrão seguem sendo tratadas no âmbito judicial."


O MPF também foi procurado, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

Pedido do MPF para demolição de imóveis

Conforme revelado pela reportagem de A Gazeta, em agosto de 2025, o MPF recorreu à Justiça para que a Prefeitura de Vila Velha iniciasse, em até 90 dias, a demolição dos 18 imóveis supostamente irregulares situados na área de preservação permanente da Praia do Barrão, na Barra do Jucu.

À época, o pedido foi feito à 4ª Vara Federal Cível de Vitória e assinado pelo procurador da República André Pimentel Filho. 

Ainda segundo o MPF, fatores como a transição de responsabilidades da União para o município na gestão das praias, ocorrida em 2017, e a posterior constatação da inviabilidade financeira de projetos maiores contribuíram para os atrasos.

O órgão ministerial ainda acrescentou, à época, que a mudança do planejamento inicial para um projeto maior (Orla Interlagos - Barra do Jucu) e a subsequente necessidade de desmembramento do projeto devido à inviabilidade financeira "são os indicativos mais recentes de que a solução definitiva continua distante e sujeita a novas reestruturações".

Ao final do pedido, o MPF ressaltava que processo visava garantir a atuação do município tanto na fiscalização, para coibir novas ocupações, quanto na execução de projetos para a recuperação e requalificação da área da Praia do Barrão. 

Atualização

25/05/2026

O texto foi atualizado com nota enviada pela Prefeitura de Vila Velha.

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