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Reforço

Edital do governo do ES garante verba extra para blocos do Centro de Vitória

Com emenda parlamentar no valor de R$ 70 mil, dinheiro foi distribuído no início da semana para os selecionados
Aline Nunes

Publicado em 

12 fev 2026 às 14:48

Publicado em 12 de Fevereiro de 2026 às 17:48

Quatorze blocos de carnaval que desfilam no Centro de Vitória garantiram um reforço para colocar a folia na rua. Os grupos foram contemplados com recursos de um edital lançado pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur), no início deste mês, a partir da emenda parlamentar  nº 1.493, da deputada Iriny Lopes (PT), no valor de R$ 70 mil — verba que vai ajudar a custear, em parte, despesas para a realização da festa. 
Foram distribuídas quatro cotas de R$ 7,4 mil para blocos de grande destaque (Afrokizomba, Regional da Nair, Puta Bloco, Coisa de Negres); três no valor de R$ 4,9 mil, para os grupos médios (Subúrbio, Maluco Beleza e Amigos da Onça); seis de R$ 2,1 mil, para os pequenos (Pela'Donas, Nunca fui Santa, Wandalos, Oitentação, Galinha Preta e Prakabá); e uma de R$ 1,2 mil para um bloco estreante (Sem Compromisso). 
Puta Bloco 2024, no Centro de Vitória
Puta Bloco, no Centro de Vitória: grupo foi um dos contemplados pelo edital Crédito: Ricardo Medeiros
O apoio financeiro chega por meio do Programa de Incentivo e Apoio aos Blocos de Rua do Centro de Vitória, lançado pela Liga dos Blocos do Centro de Vitória (Blocão) e a Associação Cultural Capixaba (Cuca). 
Edital do governo do ES garante verba extra para blocos do Centro de Vitória
A presidente da Cuca, Karlili Trindade, observa que o valor do edital não é alto, mas dá um certo fôlego para os blocos diante de medidas da Prefeitura de Vitória que, na avaliação da entidade, dificultam o cortejo dos grupos. Uma dessas iniciativas é a que traz novas regras de patrocínio, como a exigência de que toda parceria a ser firmada pelos organizadores precisa passar, antes, pela apreciação do município, conforme A Gazeta apontou em reportagem no fim de janeiro. 
Para Karlili, essa restrição compromete a realização da festa de rua. "Essa portaria da Prefeitura de Vitória é um dificultador e (o modelo) já não se usa dessa maneira em muitos carnavais, como Rio de Janeiro e São Paulo, porque tira a autonomia dos blocos na busca por recursos. Há uma necessidade de diálogo, mas o que a prefeitura demonstra é uma tentativa de controle", afirma. 
Felipe Silva, fundador do Puta Bloco, que há oito anos desfila no Centro de Vitória nos domingos de carnaval, reforça as queixas, avaliando que a medida da prefeitura dificulta a negociação dos blocos na captação de verba de patrocínio. "E o principal problema disso tudo é pensar que a gestão municipal está utilizando os blocos, que historicamente construíram o carnaval no Centro, para realizar captação monetária, sem devolução direta aos blocos. No edital de patrocínio, não há entendimento de que parte do que for captado vai ser direcionado aos blocos", pontua.
Tanto Felipe quanto Karlili também apontam para um tratamento diferenciado da prefeitura em relação ao carnaval no Centro, usando como referência o investimento da administração em atrações nacionais para a folia em Camburi, como a apresentação do cantor Tomate no início do mês
"Do outro lado da 'poça', como eu costumo dizer, os cachês são gigantescos para atrações nacionais, micaretas. Enquanto isso, no Centro, que tem um histórico de carnaval de rua, há esses dificultadores. A prefeitura precisa entender que um dos maiores palcos de manifestação popular é a rua. E não é só festa; o que os blocos fazem é parte de uma grande cadeia produtiva", argumenta Karlili.
A Prefeitura de Vitória foi procurada para comentar as reclamações relacionadas às políticas da administração para a folia no Centro e, em nota, declarou que a gestão está comprometida com a valorização das manifestações populares e que considera o carnaval um dos pilares do desenvolvimento cultural e social do município. 
 "Para 2026, a prefeitura estruturou um amplo planejamento, com investimentos em infraestrutura, logística e segurança, garantindo organização, descentralização e previsibilidade ao evento."
A estrutura, segundo afirma a administração na nota, contempla oferta de trios elétricos de grande porte, instalação estratégica de banheiros químicos, pontos de hidratação, coletores de resíduos, reforço nas equipes de limpeza urbana, suporte de ambulâncias, caminhões-pipa e esquema especial da Guarda Municipal, assegurando tranquilidade aos foliões durante os quatro dias de programação no Centro e nos demais polos da cidade.
Dos 31 blocos oficializados atualmente, a prefeitura afirma que 24 recebem estrutura técnica de trio elétrico. Os demais sete blocos possuem trios próprios, desfilam tradicionalmente no chão ou não solicitaram esse tipo de apoio.
Para a prefeitura, o crescimento do carnaval de rua na Capital é resultado do diálogo permanente entre a gestão e os representantes dos blocos. "Durante todo o ano, a administração municipal realizou reuniões com representantes dos blocos para ouvir demandas e construir, de forma conjunta, o planejamento do Carnaval 2026", conclui. 
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