"Ele era uma pessoa maravilhosa, um irmão maravilhoso e um pai presente." Foi assim que Sueli definiu o irmão, o motorista de ônibus Maurício José Fernandes Lopes, de 66 anos, morto após um acidente com um caminhão na BR 259, em Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo, na noite de quarta-feira (5).
Ainda abalada com a notícia, ela contou que o irmão dedicou cerca de 40 anos à profissão e, há décadas, fazia o trajeto entre Colatina e Resplendor (MG). Para a família, Maurício deu a vida para proteger os 33 estudantes que estavam no ônibus. Em um apelo, pediu mais consciência no trânsito.
A irmã contou ainda que Maurício já havia enfrentado outra perda marcante: a morte da filha caçula, também em um acidente. Ele deixa a esposa, uma filha e um neto. A outra filha, que mora fora do país, não conseguiu vir para a despedida do pai.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Maurício conduzia um ônibus da Prefeitura de Resplendor quando colidiu na traseira de um caminhão, que estava carregado com café em grãos. Após a batida, o ônibus saiu da pista e tombou em uma área de cerca de três metros abaixo do nível da rodovia. O motorista ficou preso às ferragens e morreu no local. Os 33 estudantes sofreram apenas ferimentos leves.
Ainda segundo a PRF, a causa presumida do acidente foi a ausência de reação do condutor do ônibus. O motorista do caminhão realizou o teste do bafômetro, que teve resultado negativo.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Resplendor informou que se solidariza com os familiares e amigos de Maurício e que está prestando suporte aos estudantes e familiares envolvidos no acidente, incluindo atendimento médico, hospitalar e psicológico. A administração municipal também informou que o ônibus pertence à frota do município e foi cedido à Associação dos Estudantes por meio de um acordo de cooperação.
As circunstâncias do acidente serão investigadas pela Polícia Civil.