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Luto

'Era um menino sonhador', diz irmã de criança que morreu soterrada no ES

Otávio Viana Amaral, de 10 anos, estava na casa de amigos quando o imóvel desabou devido às chuvas; família e vizinhos prestaram as últimas homenagens nesta quinta-feira (22)

Publicado em 22 de Janeiro de 2026 às 10:17

Adrielle Mariana

Publicado em 

22 jan 2026 às 10:17
"Era um menino sonhador." Foi assim, em meio ao clima de profunda tristeza e comoção, que Thieny Viana Amaral descreveu o irmão, Otávio Viana Amaral, de apenas 10 anos. A criança morreu após o desabamento da casa onde estava, provocado pelas fortes chuvas na localidade de Lagoa Jesuína, em Rio Bananalno Norte do Espírito Santo, na última quarta-feira (21).
Otávio estava de férias da escola e passava alguns dias na casa da família de um amigo. Para a irmã, ele era uma criança cheia de vida, apaixonada por futebol e pelos estudos. "Amava jogar bola, gostava muito de brincar. Era um menino maravilhoso, respeitador e muito dedicado aos estudos. Ele amava estudar", relembrou Thieny, com carinho.
O desabamento aconteceu durante a madrugada, por volta das 4h30. No momento da tragédia, duas pessoas conseguiram sair a tempo e outras duas foram resgatadas com vida dos escombros pelos bombeiros. Otávio, no entanto, acabou soterrado. Após quatro horas de buscas intensas, acompanhadas de perto pela família, o corpo do menino foi localizado por volta das 9h30 da manhã.
O sentimento de perda também foi compartilhado e descrito pelo avô, Silva Alves do Amaral. Emocionado, ele descreveu o soterramento de Otávio como a perda de uma parte de si mesmo.
É muita tristeza a gente ver um familiar que gosta tanto indo assim. Ele era um pedaço de mim. Considerava meu neto como um filho
Silva Alves do Amaral - Avô do menino 
Otávio Amaral, de 10 anos, morreu soterrado após o desabamento de uma casa em Rio Bananal
Otávio Amaral, de 10 anos, morreu soterrado após o desabamento de uma casa em Rio Bananal Crédito: Leitor | A Gazeta/Arquivo da família
O velório da criança começou na noite de quarta-feira (20) na Igreja Presbiteriana do bairro São Sebastião e terminou com o sepultamento no cemitério novo da região na manhã desta quinta (21), em Rio Bananal. O clima de despedida tomou conta do local, que ficou repleto de familiares e amigos profundamente emocionados.
A família de Otávio preferiu não dar entrevistas. Ederson Zanoteli, dono da casa que desabou, conversou com a repórter Luciany Oliveira, da TV Gazeta. Ele contou que conhecia a criança desde os 3 anos e que considerava Otávio como filho. 
No dia do desabamento, Rio Bananal registrou com 310 milímetros em 24 horas, número muito acima da média prevista para todo o mês de janeiro, que era de cerca de 200 milímetros. O município permanece em alerta máximo, com risco de enchentes.

Erosão do solo

Nesta quinta-feira (22), a Defesa Civil de Rio Bananal informou que ainda não há dados oficiais da perícia para decretar o que causou o desabamento, mas observações preliminares dão conta de que o sistema de drenagem foi incapaz de comportar o volume de água proveniente da região, provocando a erosão do solo, que era arenoso. 
"O excedente ocasionou transbordamento no ponto de menor cota altimétrica, onde o fluxo hídrico promoveu a erosão do solo sob a edificação. Considerando tratar-se de solo arenoso, houve fácil remoção do material de suporte, resultando no comprometimento da fundação e, consequentemente, no colapso estrutural da residência. Adicionalmente, registrou-se o rompimento de um barramento a montante. Segundo informações, esse evento teria ocorrido após o colapso da edificação", disse o órgão.

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