Mais de duas mil pessoas estão à espera de um transplante no Espírito Santo. Em contraste com esse número, apenas 171 pessoas no Estado, neste ano, formalizaram o desejo de ser um doador, por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo). Na semana do Dia Nacional de Doações de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, esse baixo índice de cadastro voluntário faz aumentar a angústia de quem está no aguardo pela captação de um coração ou rim, por exemplo, com o qual possa recuperar as boas condições de saúde.
Desde abril de 2024, as pessoas interessadas em ser doadoras de órgãos podem manifestar e formalizar o desejo da doação de forma gratuita e digital. O registro pode ser feito por meio do aplicativo Aedo, do site www.aedo.org.br ou da plataforma de serviços notariais (e-notariado). A iniciativa foi lançada pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Ministério da Saúde.
A diretora de Tabelionato de Notas do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado do Espírito Santo (Sinoreg-ES), Carolina Romano, afirma que a autorização eletrônica possibilita que mais pessoas oficializem uma decisão que pode salvar vidas.
ES tem 171 pessoas registradas como doadoras de órgãos em cartórios
"A Aedo é um avanço que mostra como a tecnologia pode estar a serviço da vida. Ao permitir que milhares de pessoas registrem sua vontade de forma simples e segura, fortalecemos não apenas a cidadania, mas também a esperança de quem aguarda por uma nova chance”, explica a diretora.
Segundo dados do Ministério da Saúde, os transplantes mais realizados no Brasil foram os de rim (6.320) e de fígado (2.454), entre os órgãos sólidos, e os de córnea (17.107) e medula óssea (3.743), entre os tecidos. Atualmente, mais de 42 mil pessoas estão na fila por um transplante no Brasil.
Na plataforma e-Notariado, o processo para se registrar como doador de órgãos é totalmente digital. O interessado acessa o site www.aedo.org.br, solicita gratuitamente um Certificado Digital Notarizado, realiza videoconferência com um tabelião de notas e assina eletronicamente o documento, escolhendo quais órgãos deseja doar.
A Aedo passa a integrar automaticamente a Central Nacional de Doadores de Órgãos, podendo ser consultada por profissionais de saúde credenciados no Sistema Nacional de Transplantes. O documento pode ser revogado a qualquer momento pelo cidadão.
Por lei, quando alguém morre, são os familiares que escolhem se os órgãos dessa pessoa serão ou não doados. Entretanto, essa decisão precisa ser tomada rapidamente para que o transplante aconteça. Isso porque, em questão de horas, os órgãos podem ficar inviabilizados e não poderão ser aproveitados. Quando a intenção de um doador é manifestada de forma antecipada, os familiares podem agir conforme a vontade da pessoa que morreu, de maneira mais ágil, possibilitando uma nova perspectiva para quem espera por um transplante.