O município de Boa Esperança, no Noroeste do Espírito Santo, confirmou o terceiro caso de febre maculosa neste ano. A informação foi divulgada pela Vigilância Epidemiológica Estadual na quarta-feira (2). Na segunda-feira (31) e na terça-feira (1º), equipes de saúde realizaram a coleta de carrapatos nas comunidades de Cruzeiro e Beira Rio como parte da investigação sobre a doença no município.
A ação foi realizada pelas equipes da Vigilância Epidemiológica Estadual e da Vigilância Ambiental Municipal. Os carrapatos coletados serão encaminhados para análise laboratorial, que poderá ajudar a identificar a presença da bactéria causadora da febre maculosa e orientar as medidas de prevenção.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o novo caso está sendo acompanhado pela Vigilância Epidemiológica. Também serão coletadas amostras de carrapatos em áreas onde o paciente mora e circula. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde da pessoa infectada.
De acordo com a Prefeitura, as amostras serão encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen), onde será verificado se os carrapatos estão infectados pela bactéria causadora da doença. O resultado também deverá contribuir para definir ações de prevenção e proteção da população.
A reportagem de A Gazeta entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e com a Vigilância Epidemiológica de Boa Esperança em busca de informações atualizadas sobre o caso, a coleta e os próximos passos da investigação. O espaço segue aberto para manifestação.
Segundo o Ministério da Saúde, a febre maculosa é uma doença infecciosa febril aguda, de gravidade variável, causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos. No Brasil, duas espécies de riquétsias estão associadas a quadros clínicos da doença.
Os sintomas costumam surgir de dois a 14 dias após a picada do carrapato e incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dor muscular, náuseas e vômitos. Entre o terceiro e o quinto dia, podem aparecer manchas vermelhas na pele, especialmente nas palmas das mãos e nas plantas dos pés.
Boa Esperança registrou o primeiro caso de febre maculosa neste ano em março, após a morte da Kyara Silva Rúbia, de 2 anos. A criança morreu em 28 de janeiro, mas a confirmação da doença foi divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde um mês e 18 dias após o óbito.
Segundo familiares, os primeiros sintomas foram febre e, posteriormente, o surgimento de manchas pelo corpo. Inicialmente, houve suspeita de dengue e catapora.
Kyara ficou internada por dois dias no hospital local e depois foi transferida para unidades de saúde de Nova Venécia e para o Hospital Estadual Roberto Arnizaut Silvares, em São Mateus. Com a piora do quadro, precisou ser encaminhada para um hospital em Vitória. Cerca de uma semana após o início dos sintomas, a menina morreu.
No dia 15 de agosto, outro morador do município, o proprietário rural José Vamberto Rodrigues de Medeiros, de 52 anos, também morreu em decorrência da doença.
De acordo com familiares, José tinha o hábito de frequentar áreas próximas a rios e locais com presença de capivaras. Ele começou a apresentar enjoo e falta de apetite e, dias depois, teve dores no corpo e febre. Exames apontaram queda nas plaquetas.
O homem foi atendido em uma unidade de saúde de Boa Esperança e posteriormente transferido para o Hospital Estadual Roberto Arnizaut Silvares, em São Mateus, onde morreu.