Uma jovem de 25 anos morreu de meningite bacteriana aguda após procurar atendimento cinco vezes na Unidade de Pronto Atendimento (Upa) de Castelândia, na Serra, segundo a família. Sabrina Gomes Monteiro, que completaria 26 anos neste sábado (19), morreu no último dia 5, no Hospital Estadual Dr. Dório Silva.
A certidão de óbito também aponta edema cerebral. A mãe da jovem questiona os atendimentos prestados antes da internação e pede que o caso seja investigado.
Segundo a família, Sabrina procurou a UPA pela primeira vez no dia 30 de agosto, um domingo. Ela foi atendida, medicada e liberada, mas os sintomas persistiram. Nos dias seguintes, retornou à unidade na segunda, terça, quarta e quinta-feira.
A mãe, Rosimar Fernandes, conta que a filha apresentou diferentes sintomas ao longo dos dias e não melhorava com as medicações recebidas.“Uma vez dor de cabeça, uma vez dor no corpo e até chegar à dor de cabeça extrema”, contou Rosimar.
Na quinta ida, já apresentava piora importante e, posteriormente, foi transferida para o Hospital Estadual Dr. Dório Silva, onde morreu no sábado, dia 5 de setembro.
O tio Heraldo Fernandes lembra da sobrinha como uma pessoa animada e que costumava tomar a frente das comemorações da família. "Quando a família fazia um aniversário, quem tomava as providências era ela. Às vezes a gente desanimava. Mas ela ia, comprava as coisas que tinha que comprar, colocava na mesa. Ela era uma pessoa muito animada", disse Heraldo, lembrando que os dois também compartilhavam a paixão pelo São Paulo.
Em nota, a Secretaria de Saúde da Serra informou que Sabrina foi avaliada e assistida na UPA de Castelândia de acordo com os sinais, sintomas e condições clínicas apresentados. Segundo a pasta, diante do agravamento do quadro, foram adotadas medidas assistenciais e acionada a rede de urgência e emergência para a transferência hospitalar, conforme os protocolos vigentes.
A secretaria afirmou ainda que, em respeito ao sigilo profissional e à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), não divulga informações clínicas individualizadas de pacientes sem autorização legal.
De acordo com a família, o estado de saúde de Sabrina piorou ao longo dos dias. Na quinta ida à UPA, Rosimar afirma que a jovem já não respondia nem conversava com os familiares.
A mãe relatou que, naquele atendimento, uma médica levantou a possibilidade de um quadro psiquiátrico e mencionou um eventual encaminhamento para um hospital psiquiátrico em Vitória.
"Não me deram nenhuma certeza. A única médica que falou para mim foi essa que falou que era um quadro psiquiátrico, que talvez teria que levar minha filha para o hospital psiquiátrico de Vitória. Falou que ela estava em surto", afirmou Rosimar.
Ainda segundo a família, Sabrina chegou a ser contida na maca e recebeu medicamentos. Na madrugada de quinta para sexta-feira, ela foi intubada. Na manhã seguinte, deixou a UPA de ambulância para ser encaminhada a um hospital em Vitória. O tio, Heraldo Fernandes, acompanhava o transporte.
Segundo o relato da família, diante da gravidade do quadro e do trânsito intenso, a equipe decidiu buscar atendimento em uma unidade mais próxima. Sabrina foi então levada para o Hospital Estadual Dr. Dório Silva, na Serra.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Sabrina foi admitida no hospital no dia 4 de setembro com rebaixamento do nível de consciência e insuficiência respiratória. Diante do quadro, foram adotadas medidas assistenciais, entre elas a coleta de materiais biológicos para exames.
A jovem foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas morreu no dia 5 de setembro. A Sesa lamentou a morte e informou que o caso foi notificado e segue acompanhado pela Vigilância Epidemiológica Estadual.
A família também relatou que não recebeu contato da Vigilância Sanitária com orientações sobre eventual necessidade de isolamento ou de exames para pessoas que tiveram contato com Sabrina antes da internação.
Questionada, a Secretaria de Saúde da Serra informou que, após a identificação do agente causador da meningite, foi constatado que se tratava de um caso de doença pneumocócica. Segundo a pasta, para esse agente não há indicação de bloqueio, isolamento ou uso de medicação preventiva para os contatos próximos.
A secretaria informou ainda que a Vigilância Epidemiológica acompanhou o caso e prestou as orientações necessárias à equipe assistencial. Como Sabrina estava internada, segundo a pasta, as orientações à família relacionadas ao caso caberiam à unidade hospitalar responsável pela assistência.
*Com informações da repórter Quézia Prado, da TV Gazeta.