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Casa no bairro Jucutuquara, em Vitória Vitor Jubini
Fotojornalismo

Casas resistem à especulação imobiliária em tradicional bairro de Vitória

Ensaio fotográfico mostra imóveis que resistem ao tempo e à pressão por demolições e construções modernas; casas "carregam" a graciosidade do tempo e o impagável valor da memória

Vitor Jubini

Editor de Fotografia

vventorin@redegazeta.com.br

Publicado em 22 de Junho de 2025 às 14:05

Publicado em

22 jun 2025 às 14:05
Casa no bairro Jucutuquara, em Vitória
Casa no bairro Jucutuquara, em Vitória Crédito: Vitor Jubini
Não só de grandes ícones como o Museu Solar Monjardim e o Mercado São Sebastião vive a arquitetura de Jucutuquara. Pelas ruas e ladeiras, casas singulares criam uma atmosfera nostálgica no tradicional bairro da Capital do Espírito Santo.
O surgimento foi consequência dos projetos de expansão da cidade no início do século XX. O núcleo urbano, fixado na Cidade Alta, cresceu rumo ao norte, trocando o ambiente agrícola — consolidado por grandes fazendas — por estruturas urbanas como ruas, vilas e fábricas. Atualmente, Jucutuquara tenta resistir à pressão crescente da especulação imobiliária, que insiste em apagar o que é antigo para dar lugar ao que é moderno. Mas o bairro sustenta um tipo de beleza que não cabe em prédios espelhados: é a graciosidade do tempo, da permanência e da memória.
Essas casas presentes em bairros como o de Jucutuquara vão além da função prática de moradia: elas preservam a história do local e, consequentemente, a da cidade. De acordo com a arquiteta e doutora em preservação do patrimônio histórico Viviane Pimentel, “algumas construções mantêm vivas as características arquitetônicas de um determinado período, representando de forma marcante a maneira como uma cidade foi construída em tempos passados”.
Ainda segundo Viviane, “ao conservar elementos originais da época em que foram erguidas, tornam-se símbolos da memória coletiva e afetiva, tanto para os moradores quanto para os frequentadores do bairro”. Assim, contribuem para a manutenção da identidade urbana e fortalecem os laços entre passado e presente no imaginário social.
Dona de um sobrado na Avenida Paulino Muller — a principal de Jucutuquara, Maria da Penha de Oliveira relembra com afeto o lar construído pelo avô José Keijok, em 1935. “Tenho um carinho especial por ela. Já morei em muitos lugares mas só aqui sinto que é meu lar. Enquanto eu viver, vou cuidar dela e fazer de tudo para preservá-la”, conta.
Caminhar por Jucutuquara é reencontrar Vitória na forma mais sensível, é perceber que a renovação não precisa vir da demolição, mas da valorização do que já existe — e do que ainda pulsa, silenciosamente, por entre os muros e histórias do bairro.
#01 Crédito: Vitor Jubini
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