Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Acordo de Mariana

Lama no Rio Doce: 5 cidades do ES rejeitam acordo milionário de reparação

Aracruz, Baixo Guandu, Colatina, Marilândia e Sooretama abriram mão de R$ 656 milhões pelo desastre ambiental que afetou os municípios na expectativa de a Justiça inglesa conceder valor superior

Publicado em 06 de Março de 2025 às 19:59

Aline Nunes

Publicado em 

06 mar 2025 às 19:59
Data: 01/12/2015 - ES - Colatina - Situação Rio Doce, em Colatina, poluído por causa da lama da barragem que cedeu na mineradora da Samarco, em Mariana MG
Situação do Rio Doce, em Colatina, após o rompimento da barragem de Mariana (MG), em 2015 Crédito: Carlos Alberto da Silva
As cinco prefeituras que tinham até esta quinta-feira (6) para se manifestar sobre a adesão ao Acordo de Mariana decidiram recusar a proposta e aguardar a conclusão do julgamento do caso na Inglaterra. AracruzBaixo GuanduColatinaMarilândia e Sooretama, juntas, abriram mão de pouco mais de R$ 656 milhões, a título de reparação para os danos causados pelo rompimento de uma barragem de rejeitos de minério da Samarco, em Mariana (MG), em 2015, que atingiu o Rio Doce até o litoral do Espírito Santo, na expectativa de a Justiça inglesa conceder valor superior. 
A indenização prevista no acordo referia-se à parte destinada a cada município e deveria ser paga em 20 parcelas – a primeira delas em abril deste ano –, conforme decisão mais recente da empresa. E ainda recursos de ações de reparação e compensação previstas para serem executadas pela Samarco, que estavam em andamento. Mas, para receber esse dinheiro, uma das cláusulas do acordo seria desistir da ação na Inglaterra. A exigência está prevista na repactuação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 6 de novembro do ano passado.
Pelo texto do acordo, a distribuição do dinheiro do acordo seria da seguinte forma:
  • Aracruz - R$ 144,4 milhões (acordo) 
  • Baixo Guandu - R$ 95.736.979,09 (são R$ 79 milhões do acordo e mais R$ 16,7 milhões da Samarco) 
  • Colatina - R$ 292.825.790,83 (são R$ 267 milhões do acordo e mais R$ 25,8 milhões da Samarco) 
  • Marilândia - R$ 40,2 milhões  (são R$ 39 milhões do acordo e mais R$ 1,28 milhão da Samarco) 
  • Sooretama  - R$ 83 milhões (são R$ 79 milhões do acordo e mais R$ 4 milhões da Samarco) 
Lama no Rio Doce - 5 cidades do ES rejeitam acordo milionário de reparação
O prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Luiz Cardoso, já havia se manifestado, desde o final do ano passado, contrário ao Acordo de Mariana. Nesta quinta-feira (6), reafirmou seu posicionamento, após uma reunião com vereadores para esclarecer os motivos da recusa.
Para o prefeito, a Justiça brasileira apresentou o acordo após ser pressionada com o encaminhamento da ação na Inglaterra mais favorável aos municípios. Entretanto, ele afirma que a proposta daqui não atende aos interesses da cidade, tanto pelo valor quanto pelas condições de pagamento parcelado. Se a Justiça inglesa conceder o que foi pedido, Baixo Guandu terá direito a cerca de R$ 500 milhões, isto é, uma indenização cinco vezes maior do que a prevista no Acordo de Mariana.
Lastênio Cardoso admite que a Inglaterra pode decidir por um valor mais baixo, mas, ainda assim, ele acredita que será superior ao determinado pela Justiça brasileira. E se, por algum motivo, o entendimento for por não pagar indenização aos municípios, o prefeito reflete que o governo do Estado também deverá repartir com as cidades afetadas pelo desastre o que couber ao Espírito Santo
Questionado sobre o prazo de julgamento, que poderia se estender por muito tempo, Lastênio aponta que a Justiça inglesa está em fase de conclusão do processo e a previsão é que, entre junho e julho, já possa haver uma decisão definitiva, com perspectiva de pagamento à vista ou, se a empresa não tiver condições de quitar a indenização, deverá pagar pelo menos 20% inicialmente, valor que, no caso de Baixo Guandu, já seria toda a indenização antes prevista no Acordo de Mariana. 
Em nota, a Prefeitura de Aracruz afirmou que, após análise cuidadosa e considerações sobre os impactos e condições do Acordo de Mariana, decidiu não aceitar a proposta. 
"A decisão foi tomada com base em critérios técnicos e jurídicos, levando em conta o melhor interesse da comunidade aracruzense, a preservação do meio ambiente e a busca por uma reparação que atenda de forma justa e eficaz as necessidades da nossa população, em especial as comunidades mais afetadas pelos impactos ambientais e sociais causados pela tragédia."
Também por nota, a Prefeitura de Marilândia ressalta que optou por não assinar a repactuação por não concordar com os termos estabelecidos.
"A ausência de uma consulta prévia aos municípios para a discussão desses termos é um ponto crítico. Além disso, o valor proposto é considerado insuficiente, especialmente quando dividido ao longo de 20 anos, configurando um descaso com o município."
Em virtude disso, segue a nota, a prefeitura disse que "continuará confiando nas ações judiciais em andamento, com destaque para a ação inglesa, na qual foram, de fato, discutidos sobre os danos causados, e que representa uma oportunidade legítima de reparação."
A Prefeitura de Sooretama também ressalta que não aderiu ao Acordo de Mariana por não concordar com os termos, os valores e os prazos de pagamento definidos pela mineradora Samarco para indenização total dos danos coletivos causados ao município.
"A decisão foi tomada nesta quinta-feira (6), em comum acordo pelo Poder Executivo e a Câmara Municipal, através de comissão de parlamentares constituída especificamente para debater o tema, sob a orientação da procuradoria jurídica do município", diz a prefeitura, em nota.
A administração municipal acrescenta que optou por seguir com as ações movidas nas cortes inglesa e holandesa, nas quais espera alcançar valores e condições mais justas de indenização para reparação dos danos sociais e econômicos sofridos em decorrência do desastre de Mariana.
"Vale reforçar que a decisão do município não impacta no pagamento de indenizações individuais, a pessoas físicas e jurídicas de Sooretama, através dos programas indenizatórios da Samarco previstos no Acordo de Repactuação", conclui. 
Em nota assinada pelo prefeito Renzo Vasconcelos, a administração de Colatina informa que permanece no polo ativo da ação movida na justiça inglesa.
Assim como Sooretama, aponta que a manutenção de Colatina nessa ação internacional não interfere nos processos individuais movidos pela população, tampouco prejudica o ingresso dos atingidos nas plataformas disponibilizadas pela Fundação Renova/Samarco. 
"Dessa forma, os atingidos elegíveis ao recebimento de indenizações individuais devem buscar auxílio jurídico junto aos advogados e/ou defensores públicos aptos a representá-los perante os sistemas de indenização existentes."
Ainda em nota, o prefeito frisa que, após uma análise técnica, a administração entendeu que a proposta de repactuação não atende aos anseios e necessidades do município. "Além de o valor ofertado ser muito inferior ao pretendido na ação inglesa, a forma de pagamento (em 20 anos) inviabiliza a correta aplicação dos recursos em ações concretas e emergenciais nas diversas áreas impactadas", diz a nota.
"Por fim, ressaltamos que a decisão de permanecer na ação inglesa visa única e exclusivamente assegurar uma reparação financeira justa e suficiente, permitindo a aplicação estratégica dos recursos nas diversas áreas de atuação do município, em benefício de toda a população", sustenta Renzo Vasconcelos no documento. 
Ao contrário desses municípios, seis cidades aceitaram a repactuação: Anchieta, Fundão, Serra, Linhares, Conceição da Barra e São Mateus. A tragédia em Mariana ocorreu em 2015 e matou 19 pessoas atingidas pelo rompimento da barragem. Os dejetos seguiram por rios próximos, como o Doce, e prejudicaram mais de 40 cidades no Espírito Santo e em Minas Gerais.
Na quarta-feira (5) o ministro do STF Flávio Dino decidiu que os municípios atingidos pelo rompimento da barragem em Mariana não podem mesmo usar verbas indenizatórias para encargos, descontos, taxas e honorários, "a não ser os porventura previstos ou autorizados" pela Corte. "Os recursos que eventualmente os municípios venham a receber em face da adesão ao acordo homologado pelo STF, no âmbito da PET 13157, pertencem exclusivamente e integralmente aos patrimônios municipais", citou o ministro.
O escritório Pogust Goodhead representa 620 mil vítimas na ação contra a Samarco e suas controladoras, a Vale e a BHP Billiton, na Justiça inglesa. Aponta que os valores de indenização podem chegar a R$ 230 bilhões. Para as 49 cidades presentes no litígio é estimado que recebam R$ 52,4 bilhões, pagos à vista, quase nove vezes o valor de R$ 6,1 bi previstos na repactuação brasileira.
Com informações de Vilmara Fernandes

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Caso Alex Almeida de Barros, feminicídio Guarapari
Suspeito de matar mulher em Guarapari tem condenação por morte de noiva anulada
Ponto de Recarga de carro elétrico em garagem de condomínio
Governo sanciona hoje lei de recarga de carro elétrico em condomínios no ES
Imagem de destaque
No tempo em que o Britz Bar era o centro do mundo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados