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Falta de material

Mãe relata novo drama de bebê queimado em maternidade no ES: cirurgia é suspensa após anestesia

Criança sofreu queimadura grave no pé logo após o nascimento e precisava passar por procedimento corretivo; segundo a mãe, operação não foi realizada por falta de material no hospital

Publicado em 03 de Junho de 2026 às 09:37

Jaciele Simoura

Publicado em 

03 jun 2026 às 09:37
José teve o pé queimado horas após o nascimento na Serra
José teve o pé queimado horas após o nascimento na Serra Crédito: Redes Sociais

A mãe do bebê José Peisino — criança que sofreu uma grave queimadura no pé horas após o nascimento no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, em agosto de 2025 — voltou a denunciar problemas no atendimento de saúde envolvendo o filho. 


Em relato publicado em seu perfil no Instagram, Sara Peisino Barbosa afirmou que a cirurgia corretiva que o filho, agora com oito meses, faria na segunda-feira (1º), no Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), em Vitória, foi suspensa após ele ser anestesiado e submetido a diversas tentativas de acesso venoso.


Segundo a mãe, o menino desenvolveu sequelas em um dos dedos do pé em decorrência da queimadura sofrida e precisava passar por um procedimento para corrigir o problema, que poderia comprometer sua estabilidade ao andar.


"Depois de meses de espera, a cirurgia foi marcada para hoje (segunda). Fiz tudo o que pediram. Meu filho ficou em jejum desde as 6 horas da manhã e foi levado para o centro cirúrgico à tarde", relatou Sara.


Ainda de acordo com ela, já no centro cirúrgico, a equipe tentou obter acesso venoso por 12 vezes, sem sucesso. Posteriormente, a mãe teria sido informada de que seria necessário utilizar um cateter neonatal, mas o material não estaria disponível no hospital.

No fim, a cirurgia não aconteceu. Meu filho passou fome, sentiu dor, foi anestesiado, chorou e sofreu à toa. Voltou para casa sem o procedimento, sem uma nova data e sem solução para um problema causado pelo próprio sistema de saúde

Sara Peisino Barbosa Mãe de José

A mãe também classificou a situação como um descaso e disse estar indignada com o ocorrido. 


"Até quando nossos filhos vão continuar sofrendo por falta de estrutura, material e preparo? Hoje foi o José, amanhã pode ser o filho de outra mãe", afirmou.

O que diz a direção do Infantil

Procurada pela reportagem de A Gazeta, a direção do hospital informou, via assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), que o paciente recebe assistência integral e especializada da equipe multiprofissional da unidade. 


"Por ocasião do procedimento eletivo agendado, o HINSG esclarece que foi suspenso por critérios estritamente técnicos e de segurança clínica. Durante a preparação, a equipe médica identificou dificuldades fisiológicas momentâneas, optando pela interrupção do ato para preservar a integridade e a segurança do paciente", explicou a unidade. 


Ainda conforme o HINSG, todas as condutas adotadas, inclusive as manobras de anestesia, seguiram rigorosos protocolos internacionais de segurança do paciente.


"A direção da unidade já instaurou uma apuração interna para analisar os fluxos assistenciais e de comunicação envolvidos no episódio, visando o aprimoramento dos processos e a adoção de medidas administrativas, caso necessário", disse. 


Por fim, o hospital esclareceu que já está em contato com os familiares para realizar o reagendamento da cirurgia e prestar todos os esclarecimentos necessários.


Após a publicação da reportagem, a família informou que o procedimento cirúrgico foi remarcado para o dia 10 deste mês.

Relembre o caso

Mãe do bebe José celebrou evolução da cicatrização
Antes e depois do pé do bebê José que foi queimado em hospital da Serra Reprodução Redes Sociais

O caso de José ganhou repercussão em agosto do ano passado, quando a família denunciou que o recém-nascido sofreu uma queimadura grave no pé durante a internação na maternidade do Jayme Santos Neves.


Na época, a mãe relatou que foi internada no hospital no dia 18 de agosto para indução do parto, procedimento indicado por ser uma gravidez de risco, já que ela estava com pressão alta. Ela explicou que o filho nasceu saudável, às 6h do dia seguinte, em parto normal. Horas depois, o bebê foi levado para um berço aquecido porque estava com a temperatura abaixo do ideal.


Ela disse que, naquele momento, a avó do bebê o acompanhava, enquanto a filha se recuperava no quarto. Sara contou que pouco depois ouviu o choro do filho e sentiu um cheiro de queimado. 

Ao chegar ao local onde a criança estava, foi informada de que uma enfermeira teria usado um algodão aquecido em uma lâmina para esquentar o pé de José, colocando dentro da meia do recém-nascido, em seguida, o vestiu com o macacão. A criança, segundo ela, teria chorado muito e, quando a avó retirou a roupa, viu que o pé do neto já estava com uma grave queimadura. A meia e o macacão do menino também ficaram queimados, conforme o relato.

Em setembro do ano passado, a Sesa anunciou que demitiu a técnica em enfermagem envolvida no caso, após conclusão de auditoria sobre o ocorrido. Na ocasião, o órgão apresentou um relatório apontando que a profissional agiu de forma individual, sem seguir protocolos da unidade.

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