As obras de requalificação das ruas Sete de Setembro e Gama Rosa estão, atualmente, ocupando a área da Praça Ubaldo Ramalhete Maia. O espaço também será transformado pela prefeitura, mas com algumas exceções. Entre elas está a manutenção do piso da pequena quadra poliesportiva.
Segundo a Secretaria de Obras, o motivo para manter o piso é que as pedras portuguesas formam o desenho da fachada da antiga sede da Prefeitura de Vitória. O imóvel ficava exatamente onde hoje está a quadra poliesportiva. E essa também é uma demanda da população. A manutenção do piso foi uma pauta defendida pela Associação de Moradores do Centro de Vitória (Amacentro).
“Sempre destacamos o valor afetivo, histórico e simbólico daquele espaço, preservando a referência à antiga sede da Prefeitura Municipal de Vitória. Entendemos que preservar elementos que fazem parte da memória e da identidade do Centro contribui para uma requalificação urbana mais sensível ao patrimônio e evita a homogeneização da paisagem, mantendo características que tornam o Centro de Vitória um território único e reconhecido por sua história”, afirmou o presidente da Amacentro, Walace Bonicenha.
Nova quadra
Mesmo com a prefeitura atendendo ao desejo da população, mantendo as pedras portuguesas na Praça Ubaldo Ramalhete Maia, a Amacentro pontua o desejo dos moradores de ter uma quadra poliesportiva que atenda às demandas do bairro.
“Ficamos muito satisfeitos com a preservação que resgata uma referência afetiva, histórica e paisagística para o Centro de Vitória. Valorizar o patrimônio contribui para evitar a homogeneização da paisagem urbana e fortalece a identidade da região. Ao mesmo tempo, entendemos que é fundamental pensar em uma área esportiva digna para a comunidade. É desejo dos moradores e moradoras que o Centro tenha um espaço esportivo adequado, seguro e acessível, capaz de atender diferentes modalidades e faixas etárias”, pontua Bonicenha.
História
Antes da inauguração do Palácio Jerônimo Monteiro, em Bento Ferreira, em 1974, a sede administrativa de Vitória ficava onde hoje é a Praça Ubaldo Ramalhete. O imóvel, um casarão projetado por Joseph Pittlick, já tinha recebido a Câmara Municipal e, a partir de uma ampla reforma em 1927, virou a sede da Prefeitura de Vitória.
As pedras portuguesas desenhando a fachada desse casarão foram instaladas ali após a mudança da sede para Bento Ferreira e da demolição do imóvel, ambas decisões tomadas durante a gestão do prefeito Chrisógono Teixeira da Cruz (1971-1975).
O novo espaço, então, foi anexado à praça que já contornava a então sede da prefeitura, incluindo o Monumento ao Trabalho, uma estátua em bronze, de autoria de Euclydes Fonseca, e que estava instalada ali desde a década de 1940. Essa estátua, por sinal, também não sofrerá alterações durante as obras de revitalização que acontecem no entorno da Rua Sete de Setembro.
Segundo o secretário de Obras, Gustavo Perin, essas decisões sobre o piso da quadra poliesportiva e a estátua foram feitas em conjunto com moradores e comerciantes do Centro, durante as reuniões realizadas pela prefeitura com a população.
Outra solicitação dos moradores, atendida pelo município, está na altura do piso na Rua Gama Rosa. “Foi decidido manter o degrau da calçada mais alto que o da via, mas trocando o asfalto pelos tijolos holandeses, iguais aos que serão instalados na Rua Sete de Setembro e seu entorno. Nesses outros pontos, a via ficará mais próxima da altura da calçada, mantendo o tráfego calmo”, explica Perin.
Por enquanto, apenas a mudança da fiação não foi atendida. O desejo era de passar os fios da rede elétrica por baixo da calçada, mas a prefeitura alega que não há espaço suficiente para isso. Foi constatado que as redes de água, esgoto, drenagem e de dados já ocupam todo o trecho por onde a fiação elétrica poderia passar.
Andamento das obras
A previsão inicial da prefeitura era de realizar a revitalização das ruas Sete de Setembro e Gama Rosa em um ano, o que indica o fim da reforma para abril de 2027. Por enquanto, nenhuma etapa da obra está totalmente concluída.
Na região da Praça Ubaldo Ramalhete Maia, os serviços avançam a partir do trecho final do calçadão, com continuidade das intervenções no entorno da praça e progressão das frentes de trabalho para áreas adjacentes.
Segundo o secretário, um dos principais cuidados da equipe é o de respeitar o tempo de execução da obra junto com o fluxo de veículos e pedestres pelo local. “Nosso planejamento busca garantir o avanço organizado, preservando a mobilidade de moradores, comerciantes e frequentadores, ao mesmo tempo em que amplia gradativamente as áreas liberadas para uso público”, pontua Perin.
Próximas etapas
A prioridade neste momento é concluir as intervenções voltadas à circulação de pedestres, permitindo que a população utilize esses espaços mesmo com outras frentes de obra ainda em andamento.
Na sequência, os serviços avançam pela Rua Sete de Setembro em direção à Rua Maria Saraiva, até a escadaria da Piedade. Paralelamente, também estão previstas intervenções na Rua Gama Rosa, ampliando o ritmo dos trabalhos e contribuindo para o cumprimento do cronograma estabelecido.
Essas obras estão orçadas em R$ 10,5 milhões.