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Centro da Capital

Obras de requalificação vão manter piso original da Praça Ubaldo Ramalhete, em Vitória

O desenho que fica na quadra, feito em pedra portuguesa, ilustra a fachada da antiga Prefeitura de Vitória, que ficou no mesmo local durante 50 anos

Publicado em 29 de Julho de 2026 às 09:52

Maurílio Mendonça

Publicado em 

29 jul 2026 às 09:52

As obras de requalificação das ruas Sete de Setembro e Gama Rosa estão, atualmente, ocupando a área da Praça Ubaldo Ramalhete Maia. O espaço também será transformado pela prefeitura, mas com algumas exceções. Entre elas está a manutenção do piso da pequena quadra poliesportiva.

Segundo a Secretaria de Obras, o motivo para manter o piso é que as pedras portuguesas formam o desenho da fachada da antiga sede da Prefeitura de Vitória. O imóvel ficava exatamente onde hoje está a quadra poliesportiva. E essa também é uma demanda da população. A manutenção do piso foi uma pauta defendida pela Associação de Moradores do Centro de Vitória (Amacentro).


“Sempre destacamos o valor afetivo, histórico e simbólico daquele espaço, preservando a referência à antiga sede da Prefeitura Municipal de Vitória. Entendemos que preservar elementos que fazem parte da memória e da identidade do Centro contribui para uma requalificação urbana mais sensível ao patrimônio e evita a homogeneização da paisagem, mantendo características que tornam o Centro de Vitória um território único e reconhecido por sua história”, afirmou o presidente da Amacentro, Walace Bonicenha.

Fachada da antiga sede da PMV replicada na quadra poliesportiva da praça Ubaldo Ramalhete
Fachada da antiga sede da PMV replicada na quadra poliesportiva da Praça Ubaldo Ramalhete Foto Prefeitura de Vitória

Nova quadra

Mesmo com a prefeitura atendendo ao desejo da população, mantendo as pedras portuguesas na Praça Ubaldo Ramalhete Maia, a Amacentro pontua o desejo dos moradores de ter uma quadra poliesportiva que atenda às demandas do bairro.


“Ficamos muito satisfeitos com a preservação que resgata uma referência afetiva, histórica e paisagística para o Centro de Vitória. Valorizar o patrimônio contribui para evitar a homogeneização da paisagem urbana e fortalece a identidade da região. Ao mesmo tempo, entendemos que é fundamental pensar em uma área esportiva digna para a comunidade. É desejo dos moradores e moradoras que o Centro tenha um espaço esportivo adequado, seguro e acessível, capaz de atender diferentes modalidades e faixas etárias”, pontua Bonicenha.

História

Antes da inauguração do Palácio Jerônimo Monteiro, em Bento Ferreira, em 1974, a sede administrativa de Vitória ficava onde hoje é a Praça Ubaldo Ramalhete. O imóvel, um casarão projetado por Joseph Pittlick, já tinha recebido a Câmara Municipal e, a partir de uma ampla reforma em 1927, virou a sede da Prefeitura de Vitória.

Foto da antiga sede administrativa da Prefeitura Municipal de Vitória, inaugurada na década de 1920
O casarão que abrigou a Prefeitura Municipal de Vitória foi reformado e inaugurado na década de 1920. A administração pública funcionou nesse imóvel até a década de 1970 Arquivo Público Municipal | PMV

As pedras portuguesas desenhando a fachada desse casarão foram instaladas ali após a mudança da sede para Bento Ferreira e da demolição do imóvel, ambas decisões tomadas durante a gestão do prefeito Chrisógono Teixeira da Cruz (1971-1975).


O novo espaço, então, foi anexado à praça que já contornava a então sede da prefeitura, incluindo o Monumento ao Trabalho, uma estátua em bronze, de autoria de Euclydes Fonseca, e que estava instalada ali desde a década de 1940. Essa estátua, por sinal, também não sofrerá alterações durante as obras de revitalização que acontecem no entorno da Rua Sete de Setembro.

Foto da antiga sede administrativa da PMV, no Centro da cidade, local hoje ocupado pela Praça Ubaldo Ramalhete
A sede administrativa da PMV funcionava, até 1974  no Centro da cidade, local hoje ocupado pela Praça Ubaldo Ramalhete Online

Segundo o secretário de Obras, Gustavo Perin, essas decisões sobre o piso da quadra poliesportiva e a estátua foram feitas em conjunto com moradores e comerciantes do Centro, durante as reuniões realizadas pela prefeitura com a população.


Outra solicitação dos moradores, atendida pelo município, está na altura do piso na Rua Gama Rosa. “Foi decidido manter o degrau da calçada mais alto que o da via, mas trocando o asfalto pelos tijolos holandeses, iguais aos que serão instalados na Rua Sete de Setembro e seu entorno. Nesses outros pontos, a via ficará mais próxima da altura da calçada, mantendo o tráfego calmo”, explica Perin.


Por enquanto, apenas a mudança da fiação não foi atendida. O desejo era de passar os fios da rede elétrica por baixo da calçada, mas a prefeitura alega que não há espaço suficiente para isso. Foi constatado que as redes de água, esgoto, drenagem e de dados já ocupam todo o trecho por onde a fiação elétrica poderia passar.

Andamento das obras

A previsão inicial da prefeitura era de realizar a revitalização das ruas Sete de Setembro e Gama Rosa em um ano, o que indica o fim da reforma para abril de 2027. Por enquanto, nenhuma etapa da obra está totalmente concluída.


Atualmente, os trabalhos são realizados no calçadão da Rua Sete, com parte do novo piso e da rede de drenagem instalados. No entorno das ruas 13 de Maio e Professor Baltazar, segundo a prefeitura, as intervenções já registram evolução significativa, com conclusão de etapas importantes de infraestrutura e requalificação dos espaços públicos.

Na região da Praça Ubaldo Ramalhete Maia, os serviços avançam a partir do trecho final do calçadão, com continuidade das intervenções no entorno da praça e progressão das frentes de trabalho para áreas adjacentes.


Segundo o secretário, um dos principais cuidados da equipe é o de respeitar o tempo de execução da obra junto com o fluxo de veículos e pedestres pelo local. “Nosso planejamento busca garantir o avanço organizado, preservando a mobilidade de moradores, comerciantes e frequentadores, ao mesmo tempo em que amplia gradativamente as áreas liberadas para uso público”, pontua Perin.

Próximas etapas

A prioridade neste momento é concluir as intervenções voltadas à circulação de pedestres, permitindo que a população utilize esses espaços mesmo com outras frentes de obra ainda em andamento.


Na sequência, os serviços avançam pela Rua Sete de Setembro em direção à Rua Maria Saraiva, até a escadaria da Piedade. Paralelamente, também estão previstas intervenções na Rua Gama Rosa, ampliando o ritmo dos trabalhos e contribuindo para o cumprimento do cronograma estabelecido.


Essas obras estão orçadas em R$ 10,5 milhões.

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