A casa ainda guarda os sinais de um Natal que não vai acontecer. No quarto das meninas, o ursinho de pelúcia permanece sobre a cama. Na sala, a árvore de Natal está montada. Mas a família de Denis Carlos Rolim, de 43 anos, vive agora o luto após a morte dele, da esposa e das duas filhas do casal, em um grave acidente na BR 101, na madrugada desta quarta-feira (24), em Jaguaré.
Era uma data de festa para a gente. Agora não tem mais festa, não tem mais nada. Perdi toda a minha família. A gente tem que buscar conforto em Deus
Denis, a esposa Valdenice Alves de Oliveira, de 39 anos, e as filhas Débora Vitória, de 10, e Sara Cristina, de 7, saíram de Cariacica na noite de terça-feira (23) com destino à Bahia, onde passariam o Natal com parentes. A viagem foi interrompida na madrugada, após o carro da família ser atingido por uma caminhonete em alta velocidade, segundo a PRF.
A mãe de Denis, Maria Aparecida de Oliveira Rolim, contou como recebeu a notícia da tragédia. “Foi uma notícia pela manhã. Perguntei: ‘Aconteceu alguma coisa, minha filha?’. Ela disse: ‘Aconteceu, mãe. Denis morreu, levou a família toda’”, relatou em entrevista à TV Gazeta.
Abalada, ela descreveu o choque ao saber que perderia o filho, a nora e as duas netas.
Eu fiquei em estado de choque. Não chorava, só batia no peito. Agora estou esperando eles chegarem… quatro caixões
As malas e mochilas com os pertences da família ficaram espalhadas às margens da BR 101, em Jaguaré, após o acidente. O motorista da caminhonete fugiu do local sem prestar socorro, e segue sendo procurado.
O velório da família acontece durante a noite e a madrugada, entre quarta e quinta (25), em uma igreja no bairro Porto Belo, em Cariacica. Os corpos foram levados de Linhares para a Grande Vitória.
Em meio à dor, o tio lembrou da relação próxima com o sobrinho. “Eu fui tio e praticamente um pai para ele. A gente cresceu junto, era como um filho pra mim”, afirmou.
Valdenice cursava pedagogia, e Denis atuava como advogado. A mãe contou que o filho era apaixonado pela profissão. “Se ele pegasse uma causa, ele dava atenção até o fim. Era um menino muito certo com as coisas dele”, disse.
Religioso, Denis mantinha conversas frequentes sobre fé com a família. A última troca de mensagens com o tio foi uma oração. “Todo dia a gente falava de fé. Eu mandei uma oração, e ele respondeu com uma mensagem de coragem. Tá doendo demais. A família toda tá sofrendo demais”, desabafou João Carlos.