Muita fumaça, sirenes ligadas e bombeiros em ação. A reportagem de A Gazeta acompanhou de perto, na manhã de quinta-feira (28), um simulado de combate a incêndio no Porto de Vitória, que trouxe uma cena digna de filme: para conter as chamas, em vez de apenas água, as equipes lançaram mão de um líquido gerador de espuma biodegradável — material incomum no dia a dia, mas que se mostrou mais rápido e eficaz para apagar o fogo. A movimentação também contou com um resgate em altura e evacuação de funcionários em situações de perigo.
O exercício no terminal de Capuaba, em Vila Velha, realizado pela Vports — concessionária que administra o complexo portuário —, marcou a implantação do Plano de Ajuda Mútua (PAM), um sistema que organiza recursos humanos, materiais e financeiros para prevenir e responder a emergências. A experiência se inspirou em protocolos já aplicados no Porto de Santos (SP) e no Porto de Antuérpia, na Bélgica.
Espuma biodegradável
A ação simulada começou com um cenário de alto risco: um carro colidiu contra um caminhão-tanque, deixando uma vítima com queimaduras e provocando explosões. Para o combate ao fogo, as equipes utilizaram um líquido gerador de espuma (LGE), uma substância biodegradável desenvolvida para suportar altas temperaturas e para combater o fogo de maneira mais rápida e eficaz sem componentes tóxicos.
Porto de Vitória simula combate a incêndio com espuma especial e rapel
Em situações assim, são acionados recursos da Guarda Portuária e ambulâncias, além do caminhão do Corpo de Bombeiros. Equipes da Vports também atuam para evitar o vazamento de líquidos dos veículos acidentados, instalando uma barreira protetora nas canaletas do porto, impedindo que a água do mar seja contaminada.
Outro momento da simulação foi o vazamento de óleo diesel e hidráulico com queda de um trabalhador ao mar. Ação que acontece para testar a capacidade e velocidade do atendimento interno do porto em uma situação de risco de vida. Para suporte nessas ocasiões, o terminal aciona a Sala de Crise, onde são tomadas as decisões estratégicas para contenção dos riscos, definir as ações durante as ocorrências e para verificar a necessidade de recursos adicionais.
Também foi reproduzida a queda de um funcionário de uma altura de dois metros em um silo de concreto, que exigiu técnicas de rapel utilizadas pelos Bombeiros para o salvamento com maca suspensa. Por fim, houve evacuação das áreas operacionais: em 20 minutos, todos os colaboradores se concentraram em um ponto de segurança previamente definido pela empresa.
Protocolos para garantir a segurança portuária
Camilla Bridi, gerente de Sustentabilidade da Vports, explica que a ação é voltada para garantir que os protocolos definidos e testados pela empresa sejam rapidamente acionados para proteção das pessoas, da comunidade próxima ao porto, do meio ambiente e do patrimônio.
Com o PAM, a Vports deve realizar simulados a cada seis meses para organizar as ações para mitigação de risco envolvendo mais de 250 pessoas e 400 veículos que circulam pelo porto todos os dias. No exercício, a empresa ainda reúne dados de tempo e recursos para avaliar se a ação acontece em tempo hábil para garantir a segurança dos envolvidos em uma possível emergência, contando com a colaboração de representantes da Vports, do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
“Esse exercício consolida a cultura de segurança no terminal. Estamos aprimorando nossos protocolos frente às emergências e o principal objetivo é sensibilizar toda a comunidade portuária para que essa cultura seja mantida”, diz Camilla.
Ainda segundo a gestora, as ações do simulado — que podem ser realizadas em situações reais — são pensadas para evitar interferências em bairros vizinhos ao porto, como Paul e Ilha das Flores, em Vila Velha.
“É o primeiro simulado com acionamento do PAM e é fundamental que em um processo de emergência todos participem e isso está em sinergia com todo o entorno”, completa Camilla.
Simulado da Vports para situações de emergência no ES
Alsimar Damasceno, diretor de infraestrutura e operações da concessionária do porto, pondera que o principal objetivo do trabalho no terminal é a prevenção, entretanto, afirma que o espaço tem capacidade para respostas eficientes em situações adversas.
“Temos um trabalho planejado há um tempo em conjunto com as forças de segurança para garantir robustez dos nossos protocolos e para a comunidade do entorno”, diz Alsimar.
Ele ainda destaca que as ações que mostram os protocolos de segurança também podem ser atrativas para novos operadores para o terminal capixaba, o que pode movimentar a economia do Espírito Santo.
“Uma vez que o investidor entende que temos um porto seguro, a probabilidade da chegada dele aumenta muito. Vale salientar que esses protocolos não são só em Vila Velha [onde foi realizado o simulado], mas também valem para Vitória”, finaliza Alsimar.