Uma festinha com balões azuis, cartazes carinhosos e abraços apertados na manhã desta terça-feira (9) marcou o fim de uma etapa difícil para Brayan Rodrigues Sousa, de cinco anos – completados no último domingo (8). Após mais de dois anos de tratamento contra leucemia, o pequeno celebrou a última sessão de quimioterapia ao lado da família e de outras crianças que compartilham a mesma jornada no Centro de Oncologia Pediátrica Milena Gottardi, do Hospital Infantil, em Bento Ferreira, Vitória. O fim do ciclo nessa época do ano é um presente de Natal para a família.
Brayan mora com o pai, Wiliam Carlos Sousa Ferreira, de 36 anos, a mãe, Eliane Rodrigues, 28 anos, e a irmã Sophia, de nove anos, em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. Desde 2023, ele faz o acompanhamento oncológico na unidade, na Capital. Emocionado com a etapa vencida pelo filho, o mecânico metalúrgico explicou para A Gazeta que a doença foi descoberta de forma repentina, quando o menino tinha apenas dois anos.
Minha esposa percebeu que ele não estava conseguindo colocar o pé no chão. Na época, achamos que ele pudesse ter caído na creche. Mas quando ela saiu do hospital, já veio chorando, desesperada. O leucócito estava muito alto. O médico disse que podia ser uma infecção no joelho ou leucemia
Depois desse primeiro atendimento, realizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Aracruz, Brayan foi encaminhado para consulta em Vitória, onde a suspeita inicial de infecção foi descartada após exames e uma pequena cirurgia no joelho. Novos testes confirmaram o diagnóstico de leucemia.
Quando o médico falou 'não tem nada no joelho dele’, eu já fiquei em desespero. Aí partiram para o segundo diagnóstico, que era de leucemia
"Internação fortaleceu fé da família", diz pai
Wiliam e Eliane acompanharam Brayan durante longos períodos de internação. O primeiro, logo após o diagnóstico, durou mais de um mês. O menino também enfrentou complicações, como uma bactéria adquirida no tratamento e a queda acentuada do sistema de defesa do corpo, o que exigiu cuidados intensos.
Algumas vezes eu mesmo dava banho nele e o cabelo saía todo na minha mão. Mas entendemos que é propósito de Deus. Foi um período muito difícil, mas que fortaleceu nossa fé
Wiliam afirmou à reportagem que sua esposa, Eliane, teve papel fundamental nos cuidados com Brayan, se dedicando integralmente ao filho, e pontuou a importância do apoio de outras famílias que vivem a mesma rotina no hospital.
Conhecemos pais e crianças que estavam na mesma luta. Muitas não conseguiram vencer. Isso dói na gente também. Mas uma fortalecia a outra todos os dias
Ele também mencionou o acolhimento das equipes médicas e de voluntários. “A médica que acompanha o Brayan sempre foi muito carinhosa. Além dela, tem uma voluntária que traz café e brinquedos. Ela é uma bênção para todas as crianças aqui”, afirmou o mecânico metalúrgico.
Ciclo encerrado e desafio no acompanhamento
A comemoração da última aplicação do ciclo de quimioterapia de Brayan segue uma tradição construída entre as famílias que tratam seus filhos no Centro de Oncologia Pediátrica: quando uma criança encerra essa etapa, as outras comparecem para celebrar. “Mesmo quando nosso filho não tinha consulta, também comparecíamos para apoiar as outras crianças. Hoje foi a vez delas abraçarem o Brayan”, contou Wiliam.
Além da quimioterapia, Brayan já concluiu alguns tratamentos mais invasivos, como a punção na medula. Wiliam explicou que a comemoração nesta terça-feira marca uma nova fase, que é o acompanhamento médico do filho.
"Como pai e mãe, nos alegramos de ver nosso filho bem. Para honra e glória de Deus, ele está vencendo", finalizou o pai de Brayan.