O pedagogo Rodrigo da Vitória Gomes foi eleito o professor do ano de 2025 pelo prêmio Toda Matéria, após criar e organizar uma feira de ciências dentro do Centro de Detenção e Ressocialização de Linhares (CDRL), no Norte do Espírito Santo. A iniciativa nasceu com o objetivo de levar conhecimento, criatividade e reflexão científica a estudantes privados de liberdade.
Entre quase 600 educadores de todo o Brasil, o trabalho do professor de Química Rodrigo se destacou pela proposta inovadora e pelos resultados alcançados. Os projetos apresentados na feira abordam temas como sustentabilidade, meio ambiente, saúde, energia alternativa e maneiras de aplicar o conhecimento científico para melhorar as condições de vida dentro da unidade prisional.
De acordo com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), a feira é realizada todos os anos e considerada uma das únicas em uma unidade prisional de regime fechado no mundo. A iniciativa faz parte das ações pedagógicas da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Manoel Abreu, instalada dentro do presídio. Atualmente, 319 alunos participam das atividades na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A ação conta com o apoio da Sejus, da Secretaria de Educação e com parcerias de universidades federais da região. Cada turma é desafiada a criar um projeto que possa ser aplicado no dia a dia do presídio ou que traga benefícios reais para a sociedade, reforçando o papel social da ciência.
A ciência que atravessa muros
Segundo Rodrigo, a feira na prisão surgiu da convicção de que a educação científica pode ser uma ferramenta de humanização, ressocialização e transformação social. “A ideia nasceu da vivência em sala de aula, ao perceber que, mesmo em um ambiente de restrições, a curiosidade e o desejo de aprender permanecem vivos. Inspirada nas feiras realizadas em escolas regulares, adaptamos a proposta ao contexto prisional para que os alunos pudessem pesquisar, experimentar e apresentar soluções para problemas reais, mostrando que também são capazes de produzir conhecimento e transformar seu entorno”, explicou o professor.
Ele contou que muitos projetos buscam melhorar o próprio ambiente prisional, como o reaproveitamento de resíduos, a produção de materiais de higiene sustentáveis e a investigação de fenômenos científicos do cotidiano.
Depois de receber o prêmio, Rodrigo disse sentir alegria e responsabilidade “Trabalhar com educação em prisões é acreditar que o conhecimento é capaz de atravessar muros, transformar histórias e devolver sentido à vida. Mais do que uma conquista pessoal, considero essa premiação um símbolo de resistência e de esperança”, ressaltou.
Para o educador, cada edição da feira é um lembrete de que a ciência encontra caminhos, mesmo em meio a tantas limitações "A cada trabalho apresentado, a gente vê nascer um novo olhar sobre o mundo", finalizou Rodrigo.