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Reconhecimento

Sítio de São José do Queimado vira Patrimônio Cultural brasileiro

A Igreja de São José do Queimado, localizada na Serra, simboliza a resistência negra contra a escravidão no Espírito Santo
André Cypreste

Publicado em 

27 nov 2025 às 15:40

Publicado em 27 de Novembro de 2025 às 18:40

Ruínas da Igreja de São José do Queimado
Ruínas de São José do Queimado se tornam patrimônio histórico nacional. Crédito: Vitor Jubini
O Sítio Histórico e Arqueológico de São José do Queimado, na Serra, recebeu o reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão foi tomada durante o 111º Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizado quarta-feira (26), no auditório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)em Brasília (DF). A área tombada abrange as ruínas da igreja, o cemitério local e a paisagem composta por árvores de médio e grande portes no entorno.
A justificativa do tombamento baseou-se em três pilares: relevância histórica e arqueológica do sítio; importância de visibilidade nacional da Revolta do Queimado como episódio fundamental da resistência negra no país; e a necessidade de articulação entre políticas públicas, especialmente aquelas voltadas à promoção da igualdade racial.
O presidente do Iphan, Leandro Grass, ressaltou o compromisso da gestão com o reconhecimento do patrimônio de matriz africana no país. “Já são diversos bens reconhecidos, e hoje o Espírito Santo reforça seu papel e seu lugar na história do Brasil”, disse ele.
O processo de tombamento envolveu 25 rodas de conversa da equipe da pesquisa junto com a comunidade realizadas ao longo de 2020. Nesses momentos, trataram sobre religiosidade, o papel do poder público, os empreendedores do campo do comércio e turismo, educação, pesquisa e documentação.
O sítio já era protegido em nível estadual desde 1992, e o município o incluiu como bem de interesse de preservação em 1990. Desde então, ações vêm sendo desenvolvidas para garantir seu acautelamento, ou seja, medidas de preservação anteriores ao agora consolidado tombamento federal.
Ruínas da Igreja de São José do Queimado
Ruínas da Igreja de São José do Queimado Crédito: Vitor Jubini

A insurreição de 1849

Durante a missa inaugural da Igreja de São José do Queimado, cujo nome é uma referência às frequentes queimadas de cana-de-açúcar da região, em 19 de março de 1849, um grupo de escravizados exigiu a carta de alforria. Liderada por Elisiário, Chico Prego e João da Viúva, a revolta teria sido motivada pela promessa não cumprida feita pelo pároco Gregório José Maria de Bene, que garantiria liberdade àqueles que ajudassem na construção do templo dedicado a São José.
Os escravizados organizaram um levante que reuniu pessoas de diferentes regiões da província capixaba. A repressão foi violenta, seus principais líderes foram condenados à morte, enquanto outros fugiram e formaram quilombos em áreas como Roda d’Água e Retiro, nos atuais municípios de Cariacica e Santa Leopoldina, respectivamente.
Devido à força da insurreição, foram necessários reforços militares do Rio de Janeiro, além de tropas capixabas para contê-la. Os rebelados foram presos e julgados, sendo cinco deles condenados à morte. Elisiário escapou da cadeia, refugiou-se nas matas do Morro do Mestre Álvaro e nunca mais foi recapturado. Chico Prego foi capturado e enforcado em 11 de janeiro de 1850.
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