Imagina a cena: você sai com alguém para um primeiro encontro romântico. Aí, na hora do beijo, a pessoa aproxima a boca de você e junto vem o cheiro ruim. Avisar alguém de que ela está com mau hálito pode ser uma missão delicada, criar um desconforto e até ser o ponto final do nosso "date" hipotético. Existe, no entanto, uma forma segura e anônima de fazer isso. A Associação Brasileira de Halitose (ABHA) oferece o SOS Mau Hálito, um serviço gratuito disponível no site da entidade.
A cirurgiã-dentista Sandra Kirchmayer, presidente da ABHA, que mora e atende em Vitória, na Enseada do Suá, conversou com A Gazeta e explicou como o serviço funciona. A pessoa que está com uma alteração no hálito recebe um e-mail profissional e acolhedor incentivando a busca por orientação especializada.
É uma forma ética e cuidadosa de ajudar alguém. Muitas vezes, a pessoa não sente o mau hálito por conta da fadiga olfativa (se acostuma com o cheiro), mas precisa saber que tem um problema para procurar ajuda
Além da iniciativa, a associação realiza a Campanha Nacional de Combate ao Mau Hálito 2025, que começou na segunda-feira (22) e vai até 25 de outubro em todo o país, com o tema “Mau hálito constante indica problema de saúde”. A ação quer derrubar preconceitos e alertar para o fato de que a halitose vai muito além da estética: ela pode indicar doenças bucais ou sistêmicas, como periodontite, síndrome de Sjögren e até diabetes.
O mau hálito não deve ser tratado como uma questão puramente estética ou motivo de piada. Ele é um sinal clínico importante, que merece atenção e acolhimento
Segundo estimativas da ABHA, mais de 30% da população brasileira convive com mau hálito, mas o assunto ainda é cercado de constrangimento e desinformação. Para quebrar esse ciclo, a associação promove palestras, entrevistas e ações educativas.
Nosso objetivo é transformar o pensamento das pessoas e encorajá-las a falar sobre o problema com empatia. O SOS Mau Hálito surgiu exatamente para facilitar esse diálogo: se você não tem liberdade de avisar alguém, pode usar o serviço com segurança
Trotes atrapalham trabalho da associação
Depois de saber que é possível enviar um e-mail anônimo para alertar sobre um colega com mau hálito, muita gente tem a atitude de usar o serviço para fazer uma "brincadeira" com amigos, familiares ou colegas de trabalho. O trote, porém, atrapalha o trabalho ABHA, que tem o objetivo de tratar as pessoas com acolhimento.
Quem recebe o e-mail, inclusive, é avisado da possibilidade de ser um trote, uma brincadeira de mau gosto.
Segundo Sandra, o tema deve ser encarado com leveza, para que as pessoas possam conseguir alertar as pessoas próximas pensando no bem delas.
O ideal seria que alertar sobre o mau hálito fosse como avisar a uma pessoa que ela está com uma casquinha de feijão no dente. Algo comum, sem desconforto
Dentista orienta a buscar ajuda capacitada
Nem segredinho da internet, nem receitinha de vó. O ideal, segundo Sandra, é procurar ajuda profissional e capacitada para lidar com o mau hálito.
O dentista é o profissional que deve ser procurado, preferencialmente, um que tenha alguma formação mais voltada para esse tipo de atendimento. O profissional já treinado percebe alterações, tanto no hálito quanto no corpo, na questão saliva que podem ajudar num diagnóstico precoce de doenças.
Fundada em 1998, a ABHA é referência nacional no estudo da halitose e reúne mais de 130 profissionais capacitados em todo o Brasil. Além de combater o uso de soluções milagrosas e sem comprovação científica, a associação investe em pesquisa e orientação de pacientes. “Tratar o mau hálito como um problema de saúde, e não como um defeito pessoal, salva relações, oportunidades e a autoestima de quem sofre calado”, conclui Sandra.