O terremoto de magnitude 8,8 registrado nesta quarta-feira (30), com epicentro próximo à Península de Kamchatka, na Rússia, gerou ondas de tsunami que atingiram territórios russos e japoneses, além de alertas em diversos países. Por causa do impacto, a reportagem de A Gazeta procurou especialistas para saber se o tremor pode provocar algum reflexo no Espírito Santo.
Especificamente o terremoto desta quarta-feira não representa ameaça ao litoral capixaba nem a outras regiões costeiras do Brasil, pelo menos por enquanto. Mesmo assim, um dos especialistas fez um alerta quanto ao preparo local para lidar com esse tipo de situação.
O tremor, considerado o mais intenso do mundo desde o desastre nuclear de Fukushima, em 2011, ocorreu em uma região altamente sísmica do planeta, conhecida como Círculo de Fogo do Pacífico. Apesar do impacto local — com ondas entre três e quatro metros e evacuações em massa no Japão, Havaí e outras partes do Pacífico — os efeitos não chegam ao Atlântico Sul com força significativa.
Luiza Leonardi Bricalli, doutora em Geologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explica que a localização geográfica do Brasil em relação ao epicentro acaba protegendo nosso litoral.
O Espírito Santo está a cerca de 15 mil quilômetros em linha reta do local do terremoto, separado pelo Oceano Pacífico e pelo continente sul-americano. A energia das ondas sísmicas e de um eventual tsunami se dissipa ao longo de grandes distâncias
Segundo Bricalli, o Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante das bordas onde ocorrem os grandes choques tectônicos. “Por isso, o país não está sujeito a terremotos de grande magnitude nem à formação de tsunamis locais”, destaca.
Ela também esclarece que ondas oceânicas geradas no Pacífico raramente atravessam completamente o oceano para atingir com força o lado atlântico.
Não há risco de formação de grandes ondas ou qualquer tipo de alerta para o Espírito Santo ou o litoral brasileiro neste momento
Especialista faz alerta sobre preparo
Embora os riscos diretos do tsunami estejam descartados para o Brasil, pelo menos momentaneamente, o doutor e mestre em Ciência Florestal e Ambiental Luiz Fernando Schettino chama a atenção para outra preocupação: a falta de preparo do país para lidar com eventos ambientais na costa.
“Eu acho que nós estamos despreparados para lidar com algo que acontece na costa. A gente tem problema com lixo de navio, falta de fiscalização, óleo no mar. Não tenho conhecimento sobre alertas aqui no Espírito Santo relacionados à possibilidade de tsunamis. Neste cenário de mudanças climáticas, é preciso considerar a possibilidade”, afirma Schettino.
Para ele, se um evento semelhante tivesse ocorrido, por exemplo, nas Ilhas Canárias, na África, onde há atividade vulcânica, o Espírito Santo poderia ter sido afetado.
Schettino ressalta ainda que o cenário de mudanças climáticas exige vigilância constante. “É necessário um olhar à costa em todos os sentidos. Quantos pescadores temos no mar? E se acontece alguma coisa?”, questiona. Ele defende a criação de um sistema de defesa e cultura de proteção para o ambiente marinho no Brasil.