A falta de mão de obra qualificada, os desafios para ampliar a produtividade e a necessidade de melhorar o ambiente de negócios estão entre as principais preocupações apontadas por lideranças empresariais do Espírito Santo em documento entregue ao governador Ricardo Ferraço na manhã desta quinta-feira (18).
Batizada de Carta Empresarial à Sociedade Capixaba, a publicação foi elaborada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEF-ES) a partir das discussões realizadas durante a 6ª edição do CEO Meeting, encontro que reuniu presidentes, diretores financeiros e executivos de grandes empresas capixabas na última terça-feira (16).
O documento defende uma atuação conjunta entre setor produtivo e poder público para enfrentar gargalos considerados estratégicos para o crescimento econômico do Estado. Entre as prioridades listadas estão a ampliação da qualificação profissional e da educação técnica, o incentivo à inovação e à transformação digital, melhorias na infraestrutura logística, fortalecimento da segurança jurídica e modernização da gestão pública.
Segundo o IBEF-ES, o aumento da produtividade é um dos principais caminhos para elevar a competitividade da economia capixaba, atrair investimentos e ampliar a geração de renda e empregos.
Durante a entrega da carta, o presidente do Conselho de Administração do IBEF-ES, Paulo Wanick, afirmou que a iniciativa busca contribuir para a construção de uma agenda estratégica para o Espírito Santo.
“A Carta Empresarial é resultado de um processo de construção coletiva que reúne a visão de executivos responsáveis por decisões de investimento, geração de empregos e crescimento de negócios em diversos setores da economia. Nosso objetivo é contribuir para o debate público e para a construção de uma agenda capaz de aumentar a produtividade e a competitividade do Espírito Santo”, afirmou.
Mão de obra é apontada como principal gargalo
A qualificação profissional apareceu como uma das maiores preocupações das lideranças empresariais. Segundo a carta, há um descompasso entre a formação oferecida pelas instituições de ensino e as competências efetivamente exigidas pelo mercado de trabalho.
O documento defende uma maior aproximação entre empresas, universidades, escolas técnicas e centros de pesquisa, além da ampliação da oferta de cursos técnicos e tecnológicos em diferentes regiões do Estado. As lideranças também argumentam que as próprias empresas precisam ampliar investimentos em capacitação, formação de lideranças e desenvolvimento contínuo dos trabalhadores.
Na avaliação dos executivos, elevar a produtividade passa necessariamente pela formação de profissionais mais preparados para atender às demandas de uma economia cada vez mais tecnológica e competitiva.
Para o economista-chefe do IBEF-ES, Felipe Storch, a produtividade está diretamente ligada à capacidade de formar pessoas mais qualificadas e incorporar novas tecnologias aos processos produtivos.
“Quando falamos de produtividade, estamos falando da capacidade de gerar mais valor, mais renda e mais desenvolvimento para a sociedade. Isso passa pela qualificação das pessoas, pela incorporação de tecnologia, pela melhoria do ambiente econômico e pelo fortalecimento das instituições”, afirmou.
Empresários cobram ambiente mais favorável aos investimentos
A carta também aponta que o aumento da produtividade depende de avanços nas condições para empreender e investir. Entre os obstáculos destacados pelas lideranças estão o alto custo do crédito, a complexidade tributária, os custos logísticos e a burocracia, fatores que, segundo os executivos, reduzem a competitividade das empresas.
O documento reconhece que o Espírito Santo possui vantagens importantes, como equilíbrio fiscal, capacidade de planejamento e localização estratégica. No entanto, defende que o Estado avance na redução de entraves regulatórios, na modernização da máquina pública, na ampliação da segurança jurídica e no fortalecimento da infraestrutura digital.
Os empresários também afirmam que a adoção de novas tecnologias precisa ser acompanhada de investimentos em conectividade, qualificação e adaptação dos processos produtivos, para que a inovação se traduza em ganhos efetivos de produtividade.
Outro ponto abordado na carta é o debate sobre produtividade no mercado de trabalho. O documento menciona discussões relacionadas à escala 6x1 e sustenta que eventuais mudanças na jornada precisam considerar a capacidade de produzir mais por hora trabalhada.
As lideranças também manifestam preocupação com políticas assistenciais que possam desestimular a formalização, defendendo mecanismos de transição para trabalhadores que ingressam no mercado formal.
Ferraço destaca desafio da qualificação para sustentar crescimento
Ao receber a Carta Empresarial à Sociedade Capixaba, o governador Ricardo Ferraço afirmou que o Espírito Santo vive um momento de expansão econômica e atração de novos empreendimentos, mas alertou que o avanço depende da capacidade do Estado de formar profissionais para atender às demandas do mercado.
Segundo ele, a qualificação da mão de obra será decisiva para garantir que os investimentos anunciados nos últimos anos se convertam em geração de emprego, renda e desenvolvimento.
“Fico feliz em ver o envolvimento de vocês com o tema da mão de obra. Precisamos gerar mais valor agregado ao que produzimos aqui. O Espírito Santo tem atraído empresas e investimentos de diversos segmentos, como café, celulose, siderurgia, setor automobilístico e parques logísticos, e a qualificação das pessoas é fundamental para sustentar esse crescimento”, afirmou.
O presidente do IBEF-ES, Alecsandro Casassi, destacou que o CEO Meeting vem se consolidando como um espaço de articulação entre o setor produtivo e os agentes responsáveis pela formulação de políticas públicas.
“O CEO Meeting reforça o compromisso do IBEF-ES com o desenvolvimento econômico do Espírito Santo. Ao reunir as principais lideranças empresariais do Estado para discutir temas estratégicos, o Instituto contribui para a construção de soluções que gerem impacto positivo para toda a sociedade”, disse.
Segundo o IBEF-ES, a Carta Empresarial também será apresentada ao Poder Legislativo e a órgãos de controle, ampliando o debate sobre as propostas consideradas prioritárias para aumentar a competitividade e impulsionar o desenvolvimento econômico do Espírito Santo.