Mais de 212 mil profissionais do Espírito Santo que atualmente batem ponto seis dias por semana terão a rotina alterada caso o projeto que prevê o fim da escala 6x1 seja aprovado pelo Congresso Nacional. O número corresponde ao total de pessoas no Estado que hoje atuam nesse modelo de jornada e que, com a mudança, passariam a trabalhar em escala 5x2.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) traçam um raio-x das jornadas no Estado. Hoje, 554.827 trabalhadores capixabas (72,33% do total identificado) atuam cinco dias da semana e folga dois. A parcela que segue submetida a apenas um dia de descanso semanal representa 27,67% da força de trabalho mapeada.
Além da folga extra, o projeto em tramitação altera o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário. No Espírito Santo, o impacto da diminuição da carga horária será ainda mais abrangente: 693.293 pessoas serão alcançadas pela medida, puxadas principalmente pelos setores de comércio, serviços, indústria e logística.
A adoção do modelo divide empresários capixabas em todo o país. Enquanto alguns negócios resolveu mudar o esquema de trabalho, como é o caso do Extrabom, outros negócios temem aumento dos custos e, consequentemente, o desemprego.
No dia 13 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma mensagem presidencial formalizando o envio do projeto de lei ao Congresso, com pedido de urgência constitucional.
“Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos”, afirmou o presidente em pronunciamento no Dia do Trabalhador.
Em todo o país, o levantamento do MTE identificou a jornada de 44,7 milhões de pessoas. Desse montante, cerca de um terço ainda trabalha na escala 6x1, o que equivale a 14,9 milhões de brasileiros que seriam diretamente beneficiados pela migração para o modelo 5x2.
Os dados mostram ainda que 38,6 milhões de profissionais cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais no Brasil. A esmagadora maioria (37,2 milhões) atua no teto atual de 44 horas, enquanto 1,4 milhão trabalham entre 40,1 e 43,9 horas semanais.
Na divisão regional, o Sudeste concentra, com folga, o maior volume de trabalhadores no modelo 6x1, somando 7 milhões de pessoas. O Nordeste aparece em terceiro lugar.
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