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Pesando no bolso

Gás de cozinha já custa R$ 89 no ES; confira preços em 16 revendas

Desde janeiro de 2020, foram realizados um total de 11 ajustes. Em média, o produto encareceu 12,2% no Estado no período. A Gazeta pesquisou preços nas distribuidoras e explica o motivo de tanto aumento

Publicado em 08 de Fevereiro de 2021 às 10:33

Siumara Gonçalves

Publicado em 

08 fev 2021 às 10:33
Botijas de gás de cozinha
Botijas de gás: preço nas distribuidoras sobem Crédito: Carlos Alberto Silva
O gás de cozinha vem ficando mais caro, e não é de hoje. No Espírito Santo, já há revendedor que está comercializado o botijão de 13 kg por até R$ 89. O motivo para o preço estar nas alturas são os sucessivos reajustes feitos pela Petrobras nas refinarias. Nesta segunda-feira (8), a empresa anunciou uma nova alta no valor de venda desse produto, gasolina e diesel que passa vigorar nesta terça (9).
Em uma pesquisa de preços realizada pela reportagem de A Gazeta, no dia 5 de fevereiro de 2021, foram levantados os valores praticados por 16 distribuidoras de quatro municípios da Grande Vitória (CariacicaSerraVila Velha Vitória). A consulta foi feita por telefone.
O botijão mais caro é de uma distribuidora em Vila Velha, R$ 89. O mais barato está no município de Cariacica. Sai a R$  75 com entrega, mas se o cliente optar por retirar, a botija fica por R$ 68.
Já o preço do gás de cozinha mais praticado pelas revendedoras é o de R$ 85. Esse valor se repetiu em metade dos comércios pesquisados. (Veja na tabela abaixo)
De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), no Espírito Santo, o consumidor capixaba pagava, em média, R$ 65 pela botija de gás (GLP - gás liquefeito de petróleo) em janeiro de 2020. Em dezembro, com um aumento acumulado em 12 meses equivalente a 8,29%, a botija passou a R$ 71,39.
O aumento no período foi quase o dobro da inflação acumulada na Grande Vitória no ano passado. Em 2020, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechou o ano em 5,15%.
Segundo o órgão, o preço médio em janeiro de 2021 é de R$ 73,60 e subiu 12,2% em comparação com o mesmo mês de 2020.
O preço máximo do botijão no Estado aumentou em 7,59%, no comparativo entre janeiro de 2020 e janeiro deste ano, passando de R$ 79 para R$ 85. Já o valor mínimo subiu 9,07% na mesma base de comparação, saindo de R$ 55 para R$ 59,99.
De acordo com Cléber Dos Santos Almeida, vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gás Liquefeito de Petróleo do Estado do Espírito Santo (Sinregás), os revendedores do Estado estão pagando parte dessas altas, não repassando diretamente para o cliente.
"Temos cinco marcas atuando no mercado capixaba, além de empresas entrantes (novas) que chegam com o produto mais barato no início para ganhar clientela. Esse movimento do mercado é favorável ao consumidor, pois faz com que haja uma briga no mercado para ter um preço melhor. Se o setor não tivesse absorvido parte dos reajustes, com certeza o gás no Estado já estaria em R$ 100", explica. 
Nas refinarias, no ano passado, os aumentos estipulados pela Petrobras somaram 21,9%. Ao longo de 2020, o preço do botijão foi reajustado dez vezes. Nesse período,  as taxas variaram entre 5% e 5,5%. Foram nove aumentos realizados pela Petrobras e uma, pelas distribuidoras. 
No dia 7 de janeiro deste ano, passou a vigorar o 11º aumento desde janeiro de 2020. Com isso, o preço médio de venda de GLP da Petrobras para as distribuidoras aumentou em 6%, chegando a R$ 35,98 por 13kg de gás.

POLÍTICA DE PREÇOS

O preço da botija de gás ficou congelado no período entre 2007 a 2014. Em 2017, durante o governo Michel Temer, ele passou a ter reajustes mensais. Porém, após a reação negativa à medida de Temer, o botijão passou a ter ajustes trimestrais.
Já em 2019, com a entrada governo Bolsonaro, as mudanças de preço passaram a seguir as oscilações do mercado internacional do petróleo, sem periodicidade definida. Com isso, desde o início de 2020, no país, ocorreram onze reajustes sobre o valor do botijão nas refinarias.
Como os preços de GLP praticados pela petroleira seguem a dinâmica de commodities,  eles têm como referência o preço de paridade de importação, formado pelo valor do produto no mercado internacional, mais os custos que importadores teriam, como frete de navios, taxas portuárias e demais custos internos de transporte para cada ponto de fornecimento, também sendo influenciado pela taxa de câmbio.
Segundo a Petrobras, esta metodologia de precificação acompanha os movimentos do mercado internacional, para cima e para baixo.
"Os preços de venda da Petrobras às distribuidoras, bem como sua dinâmica vinculada às variações das cotações internacionais e do câmbio, respondem por apenas uma parcela do preço ao consumidor final, embora quase sempre se atribuam as variações do preço do botijão exclusivamente à Petrobras", explicou a empresa em nota.

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